Onda de calor na Baixada reforça importância da hidratação, diz médico

Por Bárbara Silva em 07/03/2022 às 19:15

O calor deve continuar na segunda semana de março na Baixada Santista, chegando a registrar máxima de 33ºC nesta terça-feira (8), segundo o site da Climatempo. No mesmo dia, a sensação térmica deve ser de 36ºC, com índices de UV extremos, como mostra o site The Weather Channel.

Com um sol tão forte e clima abafado, o corpo sente. A dermatologista Maria Cristina Fernandes lembra a importância do uso do protetor solar – e não só uma vez por dia.

“O importante é renovar o protetor solar de duas em duas horas, pois após esse tempo a química perde o efeito de proteção”, explica. Segundo a dermatologista, todos os tipos de filtros solares são bons, “desde que o fator seja a partir de 30 e que ele seja industrializado. Os filtros solares de manipulação perdem o efeito mais rápido”.

Portanto, desde que o filtro solar atenda a essas especificações, ele é o maior aliado na proteção da pele contra queimaduras, bolhas, envelhecimento precoce e um possível câncer de pele, no futuro. “A pele não esquece o sol que toma. Ela ‘acumula o sol’, e isso futuramente pode dar lesões”, diz. No caso de queimaduras na pele e formação de bolhas, tão comuns após um longo período de exposição ao sol, ela recomenda procurar um especialista para fazer o tratamento.

Desidratação no calor

O problema vai além da pele. O clínico geral Carlos Machado aponta que o grande problema de dias de calor é que as pessoas desidratam muito rápido, chegando a perder de dois a três litros.

“O calor aumenta as doenças circulatórias porque a gente perde água. A desidratação oculta – quando não se percebe que está desidratado – vai diminuir o fluxo sanguíneo cerebral, aumentando a possibilidade de um derrame. A desidratação aumenta o risco de infarto, pois diminui o fluxo sanguíneo. Aumenta o risco de falência renal. Tudo cai sobre o volume do sangue”, explica.

A média ideal seria três litros de água por dia. Parece bastante, mas é uma forma de repor a perda de líquidos do dia-a-dia.

Machado explica que as pessoas urinam, em média, 1,5L a dois litros. Ao respirar, perdemos meio litro de água. Pela pele, sem suor, perdemos quase meio litro de água. Pelo suor, a perda pode chegar a um, dois litros numa academia, por exemplo. “Ou seja, as pessoas estão tomando meio litro de água. E muita gente em vez de água toma drink”.

“Água é água. O que não é água é drink. E drink não é água. É uma bebida alcoólica, que tem um valor calórico muito alto porque tem o açúcar da fruta. Então suco de caixinha, água de coco, açaí, cerveja, tudo é drink e não hidrata, desidrata. Quando uma pessoa toma um copo de drink urina dois copos, ou seja, acaba perdendo água”, exemplifica.

Por isso, a recomendação é tomar água de hora em hora. Além de, claro, manter uma alimentação saudável, menos pesada, pois esta sobrecarrega o rim – o que pode levar a uma falência renal.

Sob a sombra

Não é só sob o sol que as pessoas sofrem desidratação. Mesmo na sombra, o mormaço, com o ar seco, rouba água do corpo. Até mesmo em um ambiente com ar condicionado há risco de desidratação, afirma o médico:

“Nesta época é pior ainda, pois o clima está seco e úmido nas nuvens. Mas em um ambiente de ar condicionado, ele rouba água do corpo, e desidratamos mais. E é importante também que pessoas que trabalham em ambiente quente, mesmo embaixo de uma proteção contra o sol, tome muita água. É o alimento mais importante – 70%, 80% do peso do ser humano é água.”

Previsão do tempo

Nesta segunda-feira (7), a umidade do ar na Baixada Santista pode chegar a 80%, segundo o site The Weather Channel. Essa umidade do ar é um fator importante na sensação térmica, como explica o diretor científico da ONG Amigos da Água, Rodolfo Bonafim, que há anos trabalha com a previsão do tempo na região.

“A sensação é a mistura da temperatura medida no ar, na sombra, com a umidade relativa do ar. Então, quanto mais úmido tiver o ar, maior a sensação de calor”, explica.

Por exemplo: se uma temperatura registra 30ºC e umidade alta de 60%, a sensação térmica é de quase 40ºC. “É por isso que o pessoal no deserto do Saara e em alguns locais do Brasil aguentam a temperatura de 40ºC quase todo dia, porque o ar é muito seco. A sensação térmica não é muito alta, então não há muita perda de água”.

A Baixada Santista, no entanto, é o contrário: tem o ar muito úmido.

As pessoas transpiram para poder baixar a temperatura interna do corpo, cujo pico ideal é 36ºC. Quando está muito calor, o corpo libera a transpiração para regular a temperatura. Porém este suor da pele, ao encontrar uma atmosfera muito úmida como a da Baixada Santista, não consegue evaporar. E isso dá uma sensação de desconforto, irritação, o que Bonafim classifica como stress térmico, ou “clima opressivo”.

Para esta semana, ele afirma que a previsão é de uma sensação térmica alta, podendo chegar a quase 40ºC.

Segundo a Climatempo, as temperaturas devem se manter na casa dos 30ºC até o final de semana, com previsão de pancada de chuva durante a noite todos os dias. Quarta-feira (9) tem máximas de 31ºC, já quinta (10) e sexta-feira (11) podem chegar aos 32ºC. Sábado (12) e domingo (13) podem registrar 30ºC e 31ºC respectivamente. Para semana que vem, há previsão de queda brusca de temperatura.

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