"Aceleramos investimentos para entregar mais capacidade", dizem especialistas sobre Porto de Santos

Por Rodrigo Martins em 25/03/2026 às 16:40

Luiza Pires/Santa Portal
Luiza Pires/Santa Portal

O primeiro painel da 3ª edição do ‘Navegando com Elas’ abordou as Perspectivas no Setor da Infraestrutura Portuária e Aquaviária, na tarde desta quarta-feira (25), na sede da Associação Comercial de Santos (ACS). O crescimento do Porto de Santos esteve no foco do debate entre os especialistas.

A mediação ficou a cargo de Flávia Pontilhão, gerente de coordenação das Unidades Regionais da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). “Fico feliz em estar em um painel bem diverso, estamos aqui para falar que a Antaq e a fiscalização precisam estar próximos dos regulados. Isso é mais assertivo em fiscalização, discutir infraestrutura é essencial”, afirmou.

Patricia Gravina, diretora do programa de parcerias e investimentos da Casa Civil da Presidência da República, falou sobre os projetos do governo federal para promoverem melhorias estruturais no setor portuário. em todo o Brasil

“Queria comentar que, para além das hidrovias, temos projetos portuários, alguns arrendamentos e leilões para serem feitos. Estamos com uma expectativa positiva de fazer projetos saírem, fazer o canal de acesso de Itajaí, que está no TCU e para ser pautado em plenário. Precisamos garantir que esse contrato de dragagem seja firme ao longo dos próximos anos. Temos em Santos o projeto do Tecon 10, que já está endereçado e estamos trabalhando no andamento desse projeto, que é muito caro e importante para o desenvolvimento do país. Temos também o projeto de São Sebastião que é muito bom e tem passado por debate bem amplo na sociedade. É um porto que tem um potencial muito bom”, disse Patrícia.

Mariana Pescatori, diretora regulatória e institucional nas Hidrovias do Brasil, abordou a necessidade de novos marcos regulatórios e do país entender a necessidade de investimentos em cada região. “Recentemente tive em um painel do TCU e é importante debater como as hidrovias podem evoluir. Um marco regulatório que traga essa segurança jurídica é bastante relevante. Antes de falar de concessões, precisamos de obras estruturantes. Temos que pensar no dia, na dragagem que precisa ser feita. No Tapajós, surgiu essa discussão por causa das influências climáticas, o dia de amanhã é o que tem que ser pensado e temos conversado com o setor público a respeito. Precisamos que todo mundo entenda quais são os seus papeis, trazer toda inteligência que o setor privado tem. Assinamos acordo de cooperação técnica e estamos avaliando as condições do Rio Tapajós, debater o que pode ser feito. Temos que pensar que nesse ano não vai ser tão fácil. Vamos ter um El Niño”, comentou.

Por sua vez, Bruno Stupello, diretor de desenvolvimento de projetos estratégicos na Santos Brasil, analisou o crescimento dos terminais de Santos para atender a grande expansão do mercado portuário. “Apesar de não termos tidos licitações de novos terminais, os terminais estão fazendo investimentos para atender esse aumento de demanda. O mercado cresce acima de 10%. Se você olhar a Santos Brasil, em dois anos saímos de 2,2 bilhões de TEUs (unidade de medida padrão no transporte marítimo) para entregar 3 bilhões de TEUs. Era para ser entregue até 2031. Estamos crescendo acima do previsto. Quando fazíamos essas previsões, fomos pessimistas porque o volume previsto para 2040, o Porto vai fazer em 2030. Aceleramos esses investimentos para entregar mais capacidade”, comentou.

Jacqueline Wendpap, diretora executiva do Instituto Praticagem do Brasil, abordou os desafios do órgão para manobrar navios dentro do canal do Porto de Santos. “Eu digo que o milagre da Praticagem é o Porto de Santos. O que a gente faz em Santos não está em norma internacional nenhuma. Tivemos um crescimento enorme de movimentação no Porto, os navios estão cada vez maiores, e mesmo assim a gente faz o que faz. A Praticagem de Santos é de excelência mundial, um modelo a ser seguido, de como você usa a mesma estrutura, mas com o crescimento de movimentação, e mesmo assim a gente vê como é possível o Porto de Santos receber todos esses navos. A dificuldade gera que a gente seja muito criativo nas soluções”, destacou..

Já Mayhara Chaves, gerente executiva de regulação na Rumo Logística, lembrou que a construção da Ferrovia Interna do Porto de Santos (FIPS) foi um marco no setor. “Tivemos um ganho expressivo com a criação da FIPS. Criou-se um modelo que só existe aqui. Três concessionárias que entram no Porto e se conversam, fazem a programação conjunta de todos os acessos. O Porto de Santos é privilegiado nesse sentido e é exemplo. Outros portos do Brasil e do mundo vêm aqui saber como a gente faz”, concluiu.


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