Responsável por casa de repouso é preso por maus-tratos a idosas em Praia Grande; uma vítima morreu
Por Santa Portal em 29/01/2026 às 20:00
Um homem, de 62 anos, responsável por uma casa de repouso no bairro Boqueirão, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, foi preso em flagrante nesta quarta-feira (28) por maus-tratos. Três idosas foram encontradas em estado gravíssimo de vulnerabilidade e, horas após a diligência, uma delas, de cerca de 85 anos, morreu.
A ação foi conduzida por equipes do 2º Distrito Policial de Praia Grande, com apoio do Conselho Municipal do Idoso, Ministério Público e Vigilância Sanitária. Segundo o delegado de assistência Pedro Alonso, a investigação teve início a partir de denúncias recebidas pela Polícia Civil sobre possíveis maus-tratos em uma casa de repouso da cidade.
“Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, fomos informados sobre a existência de outro endereço com problemas semelhantes. Ao chegarmos a esse segundo local, nos deparamos com uma situação extremamente triste, com três mulheres idosas em estado de vulnerabilidade severa”, afirmou o delegado.
No imóvel, os policiais encontraram forte odor de urina, infiltrações, bolor nas paredes, ausência de ventilação adequada e dormitórios sem condições mínimas de higiene. As três idosas, com idades de 75, 82 e 85 anos, estavam acamadas, desnutridas, apáticas e sem resposta a estímulos. Em um primeiro momento, chegou-se a suspeitar que algumas delas já estivessem sem vida.
De acordo com a Polícia Civil, as vítimas possuíam recomendações médicas expressas para alimentação por sonda e, em pelo menos um dos casos, havia indicação de impossibilidade de permanência na casa de repouso. Mesmo assim, elas continuavam no local sem qualquer protocolo específico de cuidado ou encaminhamento adequado.
“O mais alarmante foi o completo desconhecimento demonstrado pelo responsável em relação ao estado de saúde dessas mulheres. Apesar de ter poucos hóspedes, cerca de 20, ele alegou que não tinha condições de fiscalizar toda a casa e afirmou que não sabia da gravidade do quadro clínico das internas”, explicou o delegado.

Horas após a diligência, a Polícia Civil recebeu a confirmação de que uma das idosas, de aproximadamente 85 anos, faleceu em decorrência do estado de saúde crítico em que se encontrava. A família foi localizada, compareceu à delegacia e prestou depoimento. Segundo relato, havia pouco contato com a vítima, o que também será apurado no inquérito.
A Polícia Civil investiga, ainda, a eventual responsabilidade de familiares por abandono, caso fique comprovada omissão nos cuidados com as idosas.
O responsável pela casa de repouso foi autuado em flagrante pelo crime de maus-tratos contra a pessoa idosa, previsto no artigo 99 do Estatuto da Pessoa Idosa, cuja pena varia de dois a cinco anos de prisão. Com a morte de uma das vítimas, o caso pode ter agravamento da pena, conforme previsto na legislação.
As investigações continuam, com a coleta de laudos da Polícia Científica, relatórios da Vigilância Sanitária e oitivas de familiares e representantes de órgãos de proteção ao idoso. As outras duas idosas identificadas em estado grave foram encaminhadas para atendimento especializado.
Segundo a Polícia Civil, a primeira casa de repouso vistoriada durante a operação não apresentou irregularidades. As duas instituições não possuem qualquer vínculo entre si.