Família vai às ruas e contesta hipótese de asfixia na morte de primos encontrados em carro em PG
Por Santa Portal em 26/03/2026 às 05:00
Familiares e vizinhos dos primos Henry Miguel Coelho Santana, 4, e Pedro Henrique Araujo Santana, 6, realizaram, nesta quarta-feira (25), uma manifestação em Praia Grande, no litoral de São Paulo, para cobrar respostas das autoridades e criticar a condução das investigações. A principal hipótese apresentada até o momento, de que os meninos teriam entrado no veículo onde foram encontrados e morrido por asfixia e desidratação, é rejeitada pela família.
Com balões brancos, cartazes e camisetas com fotos dos meninos, o grupo percorreu ruas do bairro Vila Sônia até a Central de Polícia Judiciária (CPJ), na Vila Tupi. O ato foi marcado por gritos de “Justiça” e por relatos de medo na comunidade.
No mesmo dia, a Polícia Civil colheu depoimentos de pessoas ligadas ao caso, entre elas o casal dono do carro onde os corpos foram encontrados, o adolescente que localizou as vítimas e familiares das crianças. A expectativa é de que a polícia se manifeste ainda nesta semana.
Após prestar depoimento, a mãe de Henry, Ingrid Coelho Faria, afirmou que a versão de morte por por asfixia e desidratação não condiz com o estado em que as crianças foram encontradas. “Falaram que não teve agressão e que eles morreram asfixiados. Como isso, com olho roxo, cabeça machucada, rosto sangrando? Não entra na nossa cabeça”, disse.

Ela também questiona a dinâmica do desaparecimento e sustenta que o carro já havia sido vistoriado durante as buscas feitas por moradores. “A gente procurou tudo, entrou no mato, olhou todos os lugares. Não tinha como eles estarem ali e ninguém ver”, afirmou.
O adolescente que encontrou os corpos relatou que inicialmente pensou se tratar de um boneco ao avistar uma das crianças dentro do carro. Ao perceber a situação, chamou familiares. A família também critica a atuação da polícia no local. Segundo Ingrid, a área isolada foi restrita ao entorno do veículo, sem varredura mais ampla nas imediações.
“Eles isolaram só onde estava o carro. Por que eles não isolaram tudo? Eles não foram caminhando no mato, não entraram na parte que estava o carro e foram seguindo pra ver onde ia, onde dava, aonde saía. Eles não fizeram tudo isso”, afirmou.

Imagens descartadas
Outro ponto que ampliou a desconfiança da família envolve as imagens de câmeras de segurança analisadas durante a investigação. Segundo a mãe de Henry, registros que chegaram a ser apresentados como os últimos momentos das crianças passaram, posteriormente, a ser descartados pela polícia. Para ela, isso levanta ainda mais dúvidas sobre a condução do caso.
Ingrid afirma que reconheceu o filho nas imagens exibidas inicialmente, destacando características e trejeitos que, segundo ela, seriam inconfundíveis. Ainda assim, os investigadores teriam informado depois que as crianças vistas nas gravações não eram Henry e Pedro.
“Confirmei que era, deu até estrelinha, meu filho faz isso. Como que pode ser idêntico? Depois falaram que não eram eles, porque pegaram outras câmeras de outras ruas e viram essas crianças entrando em uma casa. Eles [os investigadores] disseram foram até a casa, chamaram e as crianças estavam lá, com a mãe, sentadas. Pediram depoimento da mãe e tudo. Então cadê as outras câmeras?”, disse.
Vídeo mostra últimas imagens de primos antes de serem encontrados mortos em Praia Grande
— #Santaportal (@Santaportal1) March 23, 2026
(Crédito: Reprodução) pic.twitter.com/jnQNeSMXky
Por email, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirma apenas que as investigações continuam. Em nota, a SSP reiterou que a ocorrência foi registrada como homicídio e que a Polícia Civil “segue com as diligências em buscas de subsídios que auxiliem na identificação de eventuais responsáveis, bem como no devido esclarecimento dos fatos”.
A conclusão dos laudos periciais deve ocorrer em até 30 dias. Em tom de revolta, Ingrid afirma que não aceitará o encerramento do caso sem esclarecimentos. “Não adianta ficar falando mentira ou querendo jogar areia nas nossas vistas e mandando. A gente não vai se calar. Foi meu filho. Eu posso morrer daqui pra frente por causa das minhas palavras, mas a minha parte eu vou fazer pelo meu filho”