19/01/2026

Exportação de café cai em 2025, mas alta no preço leva a arrecadação recorde, diz Cecafe

Por Alex Sabino/Folhapress em 19/01/2026 às 19:52

Marcello Casal JrAgência Brasil
Marcello Casal JrAgência Brasil

O país exportou menos, mas arrecadou mais com o café em 2025, segundo dados do Cacafé (Conselho dos Esportadores de Café do Brasil). No volume de sacas de 60 quilos, foram vendidas 40,05 milhões de unidades para o exterior, uma queda de 20,8% em relação a 2024. Mas a variação no preço fez com que a receita tenha atingido um recorde histórico, chegando a US$ 15,6 bilhões (R$ 83,7 bilhões).

Na Bolsa de Nova York, por exemplo, o preço passou de US$ 419,99 em dezembro de 2024 para US$ 454,87 em dezembro de 2025. Também houve investimentos contínuos em inovação tecnológica e qualidade.

Segundo a entidade, a queda na quantidade já era esperada.

“Exportamos um volume histórico em 2024, reduzindo o montante de café armazenado no país, e a safra do ano passado foi impactada pelo clima, combinação que culminou na limitação da disponibilidade do produto”, disse Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.

As vendas também foram afetadas pelo tarifaço de Donald Trump. O café brasileiro foi atingido por alíquotas de 50% na exportação para os Estados Unidos entre agosto e novembro de 2025. No período, o volume de embarques para este país caiu 55%.

Quase sempre quem mais compra o produto brasileiro, os EUA terminaram o ano passado na segunda posição, com 5,38 milhões de sacas. Foram superados pela Alemanha, que adquiriu 5,4 milhões. As tarifas, diz o Conselho, fizeram com que se tornasse necessário buscar novos mercados e o alemão foi um dos prioritários.

A partir deste ano, fazer eventos nos Estados Unidos passou a entrar nos planos, até para encontrar caminhos para o café solúivel, que continua tarifada em 50% .

“A tendência na queda da exportação no café solúvel continua”, completa Ferreira.

Para o Conselho, há questões estruturais a serem resolvidos. O cálculo é que a deficiência na infraestrutura portuária brasileira para cargas conteinerizadas causou prejuízo de R$ 61,46 milhões aos associados do Cecafé até novembro de 2025.

O Cecafé cita dados o Boletim Detention Zero, de que 55% dos navios que chegaram aos portos nacionais sofreram atrasos ou mudaram a escala, evitando o embarque de 613,4 mil sacas, o equivalente a 1.859 contêineres.

A entidade que representa produtores de café tem sido uma das mais críticas quanto aos gargalos logísticos dos portos brasileiros, em críticas que incomodam autorides portuárias do país.

Em entrevista à Folha, o presidente da APS (Autoridade Portuária de Santos), Anderson Pomini, considera que o café é uma das commodities que não são consideradas prioritárias por terminais e armadores, pelo pequeno valor agregado. Com isso, não seriam embarcados imediatamente, causando os problemas citados pelo Cecafé.

O porto de Santos representou 79% dos embarques.

“Não é só café que tem problema. Todos os setores estão procurando formas e portos para escoar sua carga porque os prejuízos em Santos estão ficando insustentáveis. Nós não fazemos essa mesma leitura da Autoridade Portária”, responde o diretor técnico Eduardo Heron.

Entre os dez maiores importadores, três ampliaram suas compras em 2025: Japão (aumento de 19,4%), Turquia (3,3%) e China (19,5%).

“Somos a única origem do mundo que consegue exportar para mais de 120 países, respondendo por mais de um terço do market share global”, disse Ferreira.

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