Abandono no CEU das Artes gera revolta entre moradores da Zona Noroeste de Santos

Por Beatriz Pires em 24/04/2026 às 05:00

Reprodução/Instagram @palafitas013
Reprodução/Instagram @palafitas013

Idealizado como um dos principais polos culturais da Zona Noroeste, o CEU das Artes, em Santos, vive hoje um cenário que gera indignação. O espaço, que deveria servir como um centro vibrante de convivência com teatro, biblioteca e quadras, apresenta sinais nítidos de deterioração, como rachaduras, canos expostos e salas tomadas por entulho.

Localizado em uma área estratégica para a inclusão social, o equipamento integra atividades de artes, esportes e assistência. No entanto, para quem vive no entorno, a realidade é de descaso. A estudante Alanys Vieira afirma que a sensação é de abandono total. Segundo ela, a falta de iluminação no entorno compromete a segurança de quem tenta frequentar o local.

“A quadra, principalmente, está caindo aos pedaços. Há salas cheias de tralhas que poderiam ser aproveitadas para cursos. O teatro quase não tem movimento. O prédio está com rachaduras e precisa urgentemente de reformas”, relata a moradora.

Redução de atividades

Vinícius de Oliveira, morador e frequentador do espaço, relembra os tempos de campeonatos e festivais. Para ele, houve uma redução gradual na programação, embora o local ainda resista como sede de ensaios de escolas de samba e projetos sociais, como o Tia Egle e aulas de futsal.

“A sensação de abandono vem dos danos estruturais. Ainda há algumas atividades de ensaio, mas o desgaste visual e físico do prédio afasta a comunidade”, afirma Vinícius.

Estrutura e falta de investimento

A precariedade vai além da estética. Alanys faz um apelo específico sobre a cobertura da quadra, onde telhas soltas representam um risco real de acidentes para os jovens que ainda tentam utilizar o espaço.

Reprodução/Instagram @palafitas013

A crítica dos moradores estende-se à percepção de que a Zona Noroeste recebe poucos investimentos culturais contínuos. Apesar de ser o palco do tradicional desfile de Carnaval de Santos, a região carece de equipamentos culturais ativos durante o resto do ano. “Ter um espaço cultural aqui na ZN é fundamental. Ele amplia o acesso ao lazer e ao esporte perto de casa, mas precisa ser reativado e bem cuidado”, conclui Oliveira.

Posicionamento da Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Santos contestou a percepção de abandono e informou que o CEU das Artes recebe manutenção regular. O Município destacou que o Núcleo Integrado de Assistência Social (Nias), que funciona no complexo, segue atendendo diariamente famílias dos bairros Castelo e Areia Branca.

Segundo a administração, a biblioteca mantém atendimento diário e o anfiteatro recebe oficinas de formação e atividades culturais ao longo do ano. A Prefeitura também ressaltou que estão em andamento as obras para a construção de duas pistas de pump track (uma delas infantil) no local.

A Secretaria Municipal de Cultura (Secult) reforçou que o projeto Fábrica Cultural oferece 16 opções de cursos na região, atendendo mais de mil moradores em entidades parceiras como a Sociedade de Melhoramentos do Jardim Rádio Clube e o Jardim Botânico. Por fim, o Município anunciou que o projeto “Hora da Cultura”, focado na descentralização das artes, deve iniciar suas atividades em maio, tendo a Zona Noroeste como uma das regiões prioritárias.

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