Votação pela expulsão de diretores do caso de camarote do São Paulo é marcada
Por Valentin Furlan / UOL/Folhapress em 01/04/2026 às 12:14
A votação no Conselho Deliberativo do São Paulo pela expulsão de Douglas Schwartzmann e Mara Casares tem data marcada: dia 8 de abril.
Presidente do casa, Olten Ayres de Abreu definiu a data do pleito nesta terça-feira (31).
A pauta, encaminhada a Olten após recomendação unânime da Comissão de Ética pela expulsão da dupla, é pela saída de ambos não só do Conselho, mas também do clube.
A decisão foi anunciada na manhã desta segunda-feira (30) por Luiz Braga, relator responsável pelo caso. Os cinco membros da Comissão decidiram pela pena máxima.
Com a recomendação de pena máxima, Douglas Schwartzmann e Mara Casares foram encaminhados para exclusão do quadro associativo do São Paulo. O caso de Douglas envolve também a perda de mandato, visto que o ex-diretor adjunto da base é conselheiro vitalício do clube.
Já Mara Casares renunciou ao cargo de conselheira eleita em dezembro de 2025, em meio ao auge da repercussão do caso. A Comissão encaminhou a ex-diretora feminina, cultural e de eventos do São Paulo para exclusão do quadro de sócios.
O quórum para aprovação é de maioria qualificada da casa -ou seja, dois terços dos 254 conselheiros aptos, hoje, ao voto, e a votação, fechada.
RELEMBRE O CASO
Schwartzmann e Mara Casares protagonizaram um áudio no qual falam de uma suposta comercialização ilegal de ingressos de um camarote para o show da cantora Shakira, que ocorreu em fevereiro do ano passado, no Morumbis. Ambos seguem afastados e alvos de sindicância interna.
O nome do Marcio Carlomagno, considerado internamente o ‘braço direito’ de Casares, indicado pelo mandatário como superintendente geral do clube no CT da Barra Funda e até então principal nome da situação política para a eleição presidencial do clube em 2026, também foi citado no áudio.
Douglas reconhece que a operação foi clandestina, afirma que Carlomagno tinha conhecimento dos fatos e demonstra preocupação com os reflexos internos no clube, incluindo o risco de punições e desgaste político para os envolvidos.
O camarote envolvido é o 3A, localizado no setor leste do estádio e registrado nos sistemas internos como “sala da presidência”.
Mara Casares teria recebido de Carlomagno o direito de uso do camarote 3A do estádio e repassado o espaço para exploração comercial no show de Shakira, em fevereiro. A venda dos ingressos ficou a cargo de Rita de Cássia Adriana Prado, que faturou cerca de R$ 132 mil com entradas de até R$ 2.100.
O caso avançou para a esfera judicial após Adriana acionar uma empresa parceira por suposta apropriação de ingressos sem pagamento. Com o boletim de ocorrência e o processo em andamento, Douglas Schwartzmann e Mara passaram a pressioná-la para retirar a ação.
O escândalo foi o que fomentou o afastamento dos diretores, alvos de auditorias interna e externa, bem como o processo de impeachment que culminou na renúncia de Casares à cadeira de presidente. Carlomagno acabou tendo demissão encaminhada dois dias depois de Harry Massis Júnior assumir a presidência do clube.