Quem é o surfista apoiado por L7 e Scooby que pode brilhar na elite mundial
Por Guilherme Dorini/Folhapress em 09/02/2026 às 11:12
Por pouco, Weslley Dantas não virou mais uma estatística silenciosa de um esporte repleto de talentos que acabam perdidos pelo caminho no Brasil por falta de recursos financeiros.
Líder disparado do ranking regional da WSL na temporada 2025/26, o paulista vive o melhor momento da carreira justamente após quase abandonar as competições e muito dessa retomada passa pelo apoio de dois nomes conhecidos: o rapper L7nnon e o surfista de ondas gigantes Pedro Scooby.
Começo promissor
Irmão de Wiggolly Dantas, que competiu por três temporadas completas no Circuito Mundial (2015, 2016 e 2017), Weslley cresceu em um ambiente competitivo e cercado de referências. Assim como Filipe Toledo, bicampeão mundial, ele também foi formado nas ondas de Ubatuba, um dos principais celeiros do surfe brasileiro.
Ainda jovem, Weslley deu sinais claros de que tinha algo diferente. Em 2018, aos 20 anos, conquistou o prêmio de “estreante do ano” da Tríplice Coroa Havaiana, conjunto de etapas que, à época, era considerado uma das maiores conquistas possíveis fora do Circuito Mundial. Hoje extinta, a premiação ajudava a indicar quem estava pronto para voos maiores.
O salto, porém, não veio como esperado.
A queda
Lesões, pandemia, mudanças profundas nos formatos da WSL e, principalmente, dificuldades financeiras atravessaram o caminho. Em 2023, mesmo com vaga garantida para o Challenger Series -a divisão de acesso à elite-, Weslley tomou uma decisão dura: abriu mão da disputa.
“Eu sabia que o Challenger era muito caro. Como eu tinha perdido patrocínios, optei por sair porque, na minha percepção, era um gasto que poderia estar tirando o alimento da minha família, da minha mãe, que tem um quiosque [na praia]. Preferi ficar em casa, treinar mais e esperar o momento certo para voltar, e não entrar no Challenger como apenas mais um”, disse Weslley Dantas ao UOL.
Sem calendário internacional, passou a competir pontualmente no Brasil e abriu um lava rápido para complementar a renda. O surfe, naturalmente, entrou em segundo plano.
“A ideia era competir só em alguns eventos no Brasil pra complementar minha renda. Eu não estava treinando. E aí foi quando abri um lava rápido, e foi onde meu surfe deu uma estagnada.”
Volta por cima
A virada começou fora do país, mesmo a distância. Dois amigos de infância, que moram no Havaí e competem em alto nível, fizeram o papel que Weslley chama de “psicólogos”.
“Recebi uma mensagem deles falando que aquela não era minha vida, que eu surfava muito, que não poderia abandonar, ficar sem competir. Foi onde tudo voltou a andar, comecei a fechar uns patrocínios… Fiquei sem vestir a lycra por dinheiro mesmo.”
“A parada é séria, é muito dinheiro envolvido. Tem muita gente que tem potencial pra ser campeão, mas custa caro”, disse Weslley Dantas.
Apoio fundamental
A retomada de Weslley no circuito coincidiu com a chegada de dois apoios que mudaram completamente seu cenário: Pedro Scooby e o rapper L7nnon. A ponte entre os dois mundos foi feita justamente por Scooby, que já conhecia o potencial do surfista e apresentou seu nome ao cantor.
“O Scooby me chamou na casa dele, eu e o L7, falando que queria me ajudar. Mas falou: ‘não posso gastar meu dinheiro com quem não quer evoluir.’ E o L7 é um cantor, conseguiu tudo do suor dele. Eles falaram: ‘estamos te ajudando porque gostamos de você e sabemos que você gosta do esporte, tem um nível incrível para chegar na elite'”, disse Weslley Dantas.
O suporte de L7nnon, que banca praticamente todos os custos do circuito regional, trouxe, pela primeira vez, estabilidade mínima para que Weslley pudesse focar exclusivamente em competir.
“Falei pra ele: ‘estou aqui porque você quer.’ Quando ele me perguntou se era isso mesmo que eu queria, falei que resultado não faltaria. Viajar, alugar carro, ficar tranquilo com alimentação… Esse é o mais difícil. Se você tem isso, você faz resultado.”
Hoje, Weslley também recebe ajuda -ainda extraoficial- de Scooby, principalmente com logística e custos de viagem.
“Scooby me ajuda com umas coisas, passagem, mas estamos no processo [pra virar patrocínio oficial]. Quero o adesivo na prancha, mas está difícil. Ele é brincalhão, mas quando envolve dinheiro e trabalho, ele é muito sério. Pra pegar esse adesivo da Mamba Water, vou precisar de mais resultados”, disse Weslley, com um sorriso no rosto.
Hoje, mesmo sem contrato formal, L7nnon é peça-chave para viabilizar a próxima etapa da carreira de Weslley: o Challenger Series, divisão de acesso ao Circuito Mundial da WSL.
“É quase R$ 300 mil [pra fazer o Challenger]. É complicado falar se vou ter o dinheiro? E sabe de uma coisa? Eu não tenho contrato com o L7, acredita? A palavra dele fala mais que qualquer contrato com qualquer empresa. Já falei com ele que a parada é séria, que é um cordão do pescoço dele (risos). E ele está fechado comigo”, disse Weslley Dantas.
Dentro d’água, a confiança acompanha o bom momento. Weslley lidera o QS da América do Sul com 19.620 pontos, quase 10 mil a mais que o segundo colocado, Gabriel Klaussner, que soma 10.970. Além de ter sido campeão do Circuito Banco do Brasil de 2025.
“Eu posso chegar no Challenger sabendo que posso perder de cara, que é normal na vida de um surfista profissional, mas tenho certeza que no evento seguinte eu faço um quinto, no mínimo. Estou preparado para tudo.”