19/03/2026

Primeiro grande frio do outono só deve chegar a SP na segunda quinzena de maio

Por Claudinei Queiroz/Folhapress em 19/03/2026 às 10:42

Arquivo/Rosa Ravena/ Agência Brasil
Arquivo/Rosa Ravena/ Agência Brasil

O outono começa oficialmente às 11h45 (de Brasília) desta sexta-feira (20) no país e, apesar de a estação ter como principal característica a diminuição das chuvas e temperaturas mais amenas, a população da região metropolitana de São Paulo não deve sentir muito a mudança por pelo menos mais um mês.

Isso porque os institutos de meteorologia preveem que a primeira grande frente fria da estação, com uma massa de ar polar forte o suficiente para derrubar as temperaturas abaixo dos 10°C na capital, deve chegar à região Sudeste apenas a partir da segunda quinzena de maio.

“Segundo os modelos numéricos de previsão estendida, as primeiras massas de ar frio mais intensas só devem aparecer a partir da segunda quinzena de maio. Abril deve seguir com clima de verão, ou seja, abafado, com pancadas de chuva nas tardes e sem frio intenso na capital paulista”, analisa Adilson Nazário, técnico em meteorologia do CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas) da Prefeitura de São Paulo.

A Climatempo também prevê que a primeira massa de ar polar intensa chegue ao país na virada de maio para junho, com possibilidade de frio acentuado e geada em áreas da região Sul e temperaturas mínimas em torno dos 10°C na cidade de São Paulo.

E tanto Josélia Palmerim quanto Guilherme Borges, meteorologistas da Climatempo e da FieldPro, respectivamente, destacam que a temperatura durante o outono em São Paulo deve ser menos fria do que poderia.

“Ao menos uma frente fria poderá entrar no interior do Brasil já na segunda quinzena de abril, causando queda da temperatura moderada no Sul, em parte de São Paulo, incluindo a Grande São Paulo, sul de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, parte de Mato Grosso do Sul e no sul de Mato Grosso”, diz Palmerim, observando, no entanto, que o mapa de anomalia da temperatura indica que a temperatura média da estação deve ficar acima do normal na maior parte do Brasil.

“De maneira geral, a gente deve ter temperatura entre a média e em alguns períodos um pouquinho acima da média na maior parte do estado. Para a capital paulista também deve ser um pouquinho acima da média, mas isso vai variar, principalmente, devido à presença das massas da alta subtropical do Atlântico migrando para a região”, complementa Borges.

Ele afirma, porém, que esse cenário não quer dizer que não vai fazer frio no outono.

“Outono, por marcar a transição para o inverno, deve ter alguns eventos de frio mais pontual devido à passagem de algumas frentes frias. A gente deve ter alguns períodos de calor também, principalmente, na região centro-oeste do estado de São Paulo, potencializados por essas massas quentes que devem se estabilizar ali.”

Adilson Nazário, por sua vez, explica que com a aproximação do inverno, que começa em 21 de junho, a frequência de nevoeiros e eventuais geadas aumentará na capital paulista.

“Nesse período, as madrugadas começam a ficar mais frias, enquanto ao longo do dia o sol favorece a elevação das temperaturas, provocando grande amplitude térmica, ou seja, diferença das temperaturas máximas e mínimas registradas em um mesmo período”, comenta o técnico.

Em relação às chuvas, o CGE diz que são esperados 201 mm de precipitação durante toda a estação, que é a média climatológica. No ano passado choveu 257,7 mm, segundo o órgão municipal, que representa 28,2% acima da média da estação.

Para este ano, Nazário destaca que o outono deve passar com neutralidade climática, uma vez que não há previsão nem do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Equatorial, nem do La Niña, que esfria as mesmas águas.

“São esperadas chuvas e temperaturas dentro da média climatológica, porém, há uma tendência gradual de desenvolvimento do fenômeno El Niño, o que pode favorecer alguns períodos de calor ao longo da estação”, complementa.

Josélia Palmerim também prevê que o outono deve terminar com o El Niño formado no país, o que tende a alterar o cenário climático em todas as regiões.

“Este novo episódio de El Niño deve influenciar o clima global ao longo do segundo semestre de 2026, determinando alterações no padrão de chuva e de temperatura no inverno, na primavera e pelo menos em parte do verão de 2026 no Brasil. A previsão da Climatempo é de que este novo El Niño se intensifique durante o segundo semestre de 2026 podendo ser um fenômeno com intensidade forte a muito forte e semelhante ao que foi observado em 2023.”

Em se confirmando esse cenário, a tendência é aumentar a chuva sobre áreas da região Sul, causar maior irregularidade da chuva e aumento da temperatura no Centro-Oeste e no Sudeste e diminuir as precipitações no Norte e no Nordeste do Brasil.

Considerando essa previsão para o outono, Palmerim não tem uma estimativa otimista para a situação dos reservatórios de água da região metropolitana de São Paulo.

Ela diz que a chuva de abril e do começo de maio deve gerar algum ganho de armazenamento nos reservatórios para energia e até no sistema Cantareira. Mesmo assim, os níveis de água não devem superar o que foi observado no ano passado nesta mesma época.

“Vale lembrar que a situação do Cantareira não é nada confortável! No fim do verão, em 18 de março, o armazenamento estava em 42,4% e nesta mesma época, no ano passado, era de 58,8%. A chuva que cair até o começo de maio não deve tirar o Cantareira da situação de atenção! E depois, durante o mês de maio e em junho, a chuva vai parando”, afirma a meteorologista.

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