Nutrição de precisão ganha espaço em Santos e desafia dietas padronizadas

Por Beatriz Pires em 07/06/2026 às 12:00

Reprodução/Freepik
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Especialistas alertam que o sucesso de uma dieta não depende apenas do que está no prato, mas da individualidade biológica de cada paciente. A chamada nutrição de precisão ganha força em Santos ao utilizar dados genéticos, hormonais e a análise da microbiota intestinal para explicar por que planos alimentares genéricos podem ser ineficazes ou até prejudiciais.

O funcionamento do metabolismo é regido por uma engrenagem hormonal que atua diretamente no controle do apetite e no armazenamento de gordura. O endocrinologista Jefferson França explica que disfunções na tireoide ou quadros de resistência à insulina podem dificultar o emagrecimento, mesmo quando há restrição calórica. Além disso, a saúde da microbiota intestinal influencia a forma como cada organismo absorve nutrientes e reage a processos inflamatórios.

“A ideia é tornar a estratégia mais inteligente, mais coerente e mais aplicável para aquela pessoa. A nutrição de precisão usa dados, mas precisa continuar humana, prática e possível”, afirma a nutricionista Nicolle Albanezi defendendo que o uso de tecnologia e de dados laboratoriais serve, sobretudo, para tornar o tratamento mais viável e eficiente para cada paciente.

Sinais de alerta

O corpo também emite sinais quando uma estratégia nutricional não está funcionando adequadamente.

Entre os principais indícios estão:

  • Estagnação na perda de peso;
  • Queda de cabelo;
  • Unhas fracas;
  • Irritabilidade;
  • Fadiga excessiva;
  • Episódios de compulsão alimentar;
  • Necessidade constante de “beliscar”;
  • Medo frequente de comer.

Segundo os especialistas, esses sintomas podem indicar estresse metabólico e psicológico, comprometendo o objetivo principal da dieta: promover saúde e qualidade de vida.

Além do emagrecimento

A nutrição de precisão vai além da perda de peso e tem sido utilizada como aliada no controle de doenças metabólicas e hormonais.

Mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) ou em fase de menopausa encontram na personalização do tratamento suporte para lidar com a resistência à insulina e a redução do metabolismo basal. O acompanhamento também é indicado para o controle da hipertensão, melhora da performance esportiva e prevenção de doenças crônicas relacionadas ao envelhecimento.

Para quem deseja investigar o metabolismo de forma mais profunda, a ciência médica utiliza marcadores que vão além da glicemia de jejum.

“Hormônios como a leptina e a grelina, que regulam a saciedade e a fome, também são peças-chave analisadas por endocrinologistas para ajustar a resposta do organismo ao plano alimentar”, explica o endocrinologista.

Genética é ferramenta

Embora os testes genéticos ajudem a mapear como o organismo processa gorduras e carboidratos, os especialistas reforçam que a genética não determina, sozinha, o futuro do paciente. Nesse contexto, o mapeamento do DNA funciona como uma bússola para tornar a conduta nutricional mais assertiva em pontos de maior sensibilidade individual.

Por se tratar de uma condição que exige acompanhamento contínuo, o foco das próximas etapas está na adaptação constante da rotina, garantindo que a precisão dos dados científicos resulte em um estilo de vida aplicável e sustentável.

Tratamento personalizado

Essa mudança de perspectiva transforma a rotina de cuidados na região, onde a obesidade passa a ser tratada como uma condição crônica e de controle contínuo. O impacto prático está na adoção de um protocolo baseado em quatro estratégias fundamentais: Dieta, exercícios físicos, medicação e até cirurgia bariátrica, em casos específicos.

Segundo França, o sucesso a longo prazo depende da manutenção de parte dessas estratégias para evitar que o hipotálamo, centro de controle energético do cérebro, favoreça a recuperação do peso perdido. Para o especialista, isso significa substituir as promessas de verão por um plano de saúde sustentável e clinicamente monitorado.

O desfecho para quem adota a nutrição de precisão não é a permanência em um cardápio fixo, mas a evolução contínua do tratamento. Nicolle reforça que a estratégia alimentar deve ser revista conforme os sintomas desaparecem e os indicadores de saúde, como exames laboratoriais e composição corporal, apresentam mudanças.

“Uma dieta adequada não deve ser avaliada apenas pelo peso na balança. Ela precisa melhorar saúde, energia, saciedade, digestão, exames e rotina. Quando a estratégia gera dificuldade, sintomas persistentes ou piora metabólica, é sinal de que a conduta precisa ser reavaliada”, conclui Nicolle.

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