Mortes por hipertensão crescem 11,63% na Baixada Santista e acendem alerta

Por Beatriz Pires em 04/05/2026 às 16:00

Reprodução/Freepik
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As mortes por hipertensão registraram aumento na Baixada Santista em 2025 e acenderam o alerta de especialistas para os riscos da doença, muitas vezes silenciosa. Foram contabilizados 96 óbitos no último ano, contra 87 em 2024, segundo dados da plataforma Datasus, do Ministério da Saúde. O avanço representa alta de 10,34% no período.

A médica cardiologista Flávia Lotto explica que a hipertensão essencial, ou primária, é caracterizada pelo aumento persistente da pressão arterial sem causa identificável e costuma se manifestar de forma silenciosa. Esse tipo representa cerca de 90% a 95% dos casos e está associado a fatores como predisposição genética, sedentarismo, excesso de peso, má alimentação e consumo abusivo de álcool.

“Devemos buscar sempre uma pressão em torno de 120/80 mmHg. Acima disso, já é um sinal de alerta e deve ser avaliado pelo médico”, orienta.

Maior número em três anos

O total registrado em 2025 é o maior dos últimos três anos, ficando atrás apenas de 2022, quando foram contabilizados 130 óbitos por hipertensão.

A maior concentração de casos ocorreu em Praia Grande, que somou 39 mortes — o equivalente a 40% do total da região. No ano anterior, o município havia registrado 33 óbitos, o que representa um aumento de 18,18%.

Na outra ponta, Bertioga apresentou o menor número de registros, com apenas um caso em 2025, sem variação em relação a 2024.

Riscos e acompanhamento

Segundo a cardiologista, pessoas sem diagnóstico devem aferir a pressão arterial em consultas de rotina. Já pacientes hipertensos controlados podem realizar esse acompanhamento a cada seis meses. Em casos de descontrole, a frequência deve seguir orientação médica até a estabilização.

Flávia destaca que, embora o sódio seja frequentemente apontado como vilão, ele não é o único fator determinante. A hipertensão está diretamente ligada ao estilo de vida e, quando não tratada, aumenta o risco de infarto, AVC, aneurisma, doenças renais e cardíacas.

“A pressão elevada causa lesões nas artérias do coração e do cérebro, podendo levar à obstrução ou ao rompimento dessas artérias e causar situações extremamente graves”, explica.

Perfil das vítimas

Entre os óbitos registrados em 2025, a maioria foi de mulheres, que representaram 58,33% dos casos (56 mortes), enquanto os homens corresponderam a 41,67% (40 casos). O padrão se repete em relação aos anos anteriores.

O mês de dezembro concentrou a maior parte das mortes, com 12,5% dos registros. Já em relação à faixa etária, os idosos são os mais afetados. Pessoas com mais de 80 anos somaram 43 óbitos (44,79%), seguidas pela faixa de 70 a 79 anos, com 34 mortes (35,42%), e de 60 a 69 anos, com 15 registros (15,625%). Também foram contabilizados dois óbitos entre 50 e 59 anos, um entre 40 e 49 anos e um entre 30 e 39 anos.

“Quanto mais avançada a idade, maior a chance de desenvolver hipertensão. Porém, excesso de peso, sedentarismo e hereditariedade também têm forte contribuição”, afirma a médica.

Prevenção como principal caminho

A especialista reforça que mudanças no estilo de vida são a principal estratégia para reduzir os casos e mortes por hipertensão.

“Investir em alimentação adequada, prática de atividade física, controle de peso, suspensão do consumo de bebidas alcoólicas e controle do estresse. Se necessário, também deve ser feito tratamento medicamentoso adequado”, conclui.

CIDADES20252024PORCENTAGEM
Santos11110%
São Vicente141127,27%
Praia Grande393318,18%
Mongaguá41060%
Itanhaém8911,11%
Peruibe11837.5%
Guarujá3250%
Bertioga110%
Cubatão52-37.5%
Total968710,34%
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