Minneapolis vive dia de greve geral em protesto contra ações do ICE e do governo Trump
Por Folha Press em 23/01/2026 às 17:31
As cidades gêmeas de Minneapolis e St. Paul, que juntas concentram mais da metade da população do estado americano de Minnesota, vivem nesta sexta-feira (23) um dia de greve geral contra as operações anti-imigração do governo Donald Trump na região.
Lojistas fecharam as portas de centenas de estabelecimentos, e sindicatos convocaram trabalhadores a deixar seus locais de trabalho e participarem de manifestações contra o ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos, no que chamaram de “dia da verdade e liberdade”.
Um dos organizadores da greve é o bispo evangélico Dwayne Royster, que disse à imprensa americana que a situação em Minneapolis e St. Paul “é tensa e emocional, e muitas pessoas estão sofrendo”. “Os moradores de Minnesota estão demonstrando hoje resistência e solidariedade como há muito não se via”, afirmou o religioso.
As ações do governo Trump em Minnesota já duram três semanas e causaram uma onda de protestos depois que um agente do ICE matou a manifestante Renee Nicole Good no dia 7. A sensação de raiva que impulsiona os manifestantes aumentou essa semana depois que uma escola acusou agentes de usarem uma criança de 5 anos de idade como isca para prender imigrantes. O menino foi apreendido e levado para o Texas junto com o pai.
Entre os incidentes que causaram revolta está também o de um idoso que foi flagrado sendo retirado de dentro de casa, vestindo apenas um calção e uma manta, por agentes do ICE durante a nevasca de St. Paul mesmo sendo cidadão americano sem antecedentes criminais.
Desde o início das operações, mais de 3.000 pessoas foram presas em protestos e acusadas de atacar agentes do ICE. Nesta quinta (22), três pessoas foram presas durante uma manifestação dentro de uma igreja. A Casa Branca divulgou uma foto do momento prisão de uma delas -a imagem foi manipulada por inteligência artificial para parecer que a ativista estava chorando.
O Departamento de Segurança Interna, que controla o ICE, disse em nota na sexta que a greve é “loucura total”. “Por que esses chefões de sindicatos querem nos impedir de retirar ameaças à segurança pública de suas comunidades?”, diz o texto, que lista uma série de imigrantes em situação irregular que teriam cometidos crimes violentos.
Na quinta, o vice de Trump, J. D. Vance, discursou em Minneapolis para defender os agentes do ICE. Ele acusou autoridades locais de semearem o caos ao se recusar a cooperar com os agentes federais.
“A tragédia aqui é múltipla”, disse Vance. “É a tragédia de que Renee Good perdeu a vida. E é a tragédia de que há agentes do ICE entrando em comunidades sem saber se, quando ligarem para a polícia, receberão apoio ou não. É isso que produz essa situação terrível.”
A greve desta sexta acontece em um dia de temperaturas extremas: uma nevasca que atinge o meio-oeste dos EUA derrubou os termômetros na cidade para -27ºC, levando a um alerta para que as pessoas se protejam.