Mãe denuncia maus-tratos após gravar profissional dizendo "bate a cabeça" a criança autista em escola de Santos; ÁUDIO

Por Santa Portal em 16/06/2026 às 05:00

Reprodução/Google Street View
Reprodução/Google Street View

Uma mãe denunciou supostos maus-tratos contra o filho autista, de 7 anos, aluno da UME Professor Valderi de Almeida, no bairro Santa Maria, em Santos, no litoral de São Paulo. A denúncia surgiu após ela colocar um gravador na mochila da criança e registrar áudios que, segundo a família, revelam situações de constrangimento e tratamento inadequado durante o período escolar.

A ocorrência foi registrada na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e enquadrada inicialmente como maus-tratos contra menor de 14 anos.

De acordo com o boletim de ocorrência, a mãe decidiu investigar o que acontecia na rotina escolar após notar mudanças no comportamento da criança. Segundo o relato, o menino, que costumava frequentar as aulas com entusiasmo, passou a demonstrar medo, irritação, inquietação e resistência para entrar na escola.

Diante da situação, ela adquiriu um gravador de áudio e o colocou na mochila do filho para entender o que poderia estar provocando a mudança repentina.

Um dos trechos gravados e obtidos pelo Santa Portal registra uma profissional orientando a criança a “bater a cabeça”. Outros áudios, de acordo com a família, também mostram situações em que o menino teria sido impedido de consumir alimentos enviados pela mãe, além de episódios de tratamento considerado desrespeitoso e humilhante.

O advogado João Carlos Nogueira, que acompanha o caso, afirma que as gravações revelam comportamentos incompatíveis com o atendimento adequado a uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

“O gravador foi instalado na mochila da criança e, no dia que tem um atendimento, um acompanhamento terapêutico, ela pôde observar várias barbaridades, como que a orientadora estava indicando que a criança batesse a cabeça na parede, porque ela estava lá por determinado tempo sem dormir. Uma conduta horrível”, afirmou.

Mudanças de comportamento levantaram suspeitas

Conforme registrado no boletim de ocorrência, a mãe passou a desconfiar de que o filho enfrentava problemas na escola quando percebeu que ele começou a apresentar sinais de desconforto sempre que precisava ir para as aulas.

Ainda segundo o documento, os áudios também apontariam episódios em que a profissional imitava a forma de falar da criança em tom de deboche, além de insistir para que ela dormisse durante determinados momentos do acompanhamento. Os registros apresentados pela família foram anexados à denúncia e deverão integrar a investigação conduzida pela Polícia Civil.

Além do registro policial, a família também levou o caso ao Ministério Público. Segundo Nogueira, foi protocolada uma representação para que o órgão acompanhe a apuração dos fatos e avalie possíveis responsabilidades criminais.

“O Ministério Público poderá acompanhar toda a investigação e verificar a existência de crime de tortura e maus-tratos. Além disso, a legislação também prevê eventual reparação pelos danos sofridos pela vítima”, explicou. As partes envolvidas serão ouvidas na delegacia.

Profissional foi afastada

Em nota, a Secretaria de Educação de Santos informou que os responsáveis pela criança foram atendidos pela equipe de educação especial da rede municipal assim que a denúncia chegou ao conhecimento da pasta.

A administração municipal esclareceu que a profissional mencionada não faz parte do quadro de servidores da Prefeitura, atuando como profissional de apoio escolar inclusivo vinculada a uma organização parceira.

Segundo a secretaria, a entidade responsável foi imediatamente comunicada e a profissional foi desligada das atividades que exercia na unidade escolar.

A Prefeitura de Santos informou ainda que acompanha o caso e permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações de maus-tratos contra o aluno autista.

O Santa Portal não localizou a defesa da acusada até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto.

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