20/05/2026

Como fofura do Baby Yoda e apelo de Pedro Pascal tentam reaver a força de 'Star Wars'

Por Guilherme Luis/Folhapress em 20/05/2026 às 10:09

Reprodução/Lucasfilm/Disney
Reprodução/Lucasfilm/Disney

Hoje um astro incontestável, Pedro Pascal foi convocado pela Disney para reajustar a órbita de “Star Wars“. Ele protagoniza “O Mandaloriano e Grogu”, primeiro filme em sete anos de uma franquia bilionária que vinha perdendo força algo fundamental para o funcionamento do universo, seus personagens não cansam de alertar.

Pascal não é a única estrela nessa missão. Seu aliado é Grogu, o Baby Yoda como ficou conhecido entre o público, coadjuvante da série “The Mandalorian”, de onde parte o novo filme, que hipnotizou fãs antigos, crianças e até quem não dava a mínima para “Star Wars”.

Com olhos esbugalhados, orelhas caídas, movimentos desajeitados e muxoxos de bebê, a criatura esverdeada deve se mostrar, a partir da estreia do filme, nesta quinta-feira, uma arma certeira para salvar a franquia após o filme anterior, “A Ascensão Skywalker”, de 2019, desagradar fãs e críticos.

Lançado junto da plataforma Disney+ para abduzir clientes, “The Mandalorian” e o Baby Yoda em si ajudou a empresa a alcançar números astronômicos de assinaturas e se consolidar no mercado. Foram 28,6 milhões de consumidores conquistados em menos de três meses à época da estreia do serviço, em 2019. A série depois teve mais duas temporadas, em 2020 e 2023.

Junto, veio um investimento massivo em produtos licenciados, entre brinquedos, roupas, objetos escolares e até cosméticos, que abarrotam as prateleiras com o rostinho de Baby Yoda desde então. Agora, com o filme, ele virou, é claro, balde de pipoca na Cinemark, o souvenir sai a R$ 260.

Só no Brasil, “The Mandalorian” vendeu mais de 2,5 milhões de produtos no último ano. Mas “Star Wars” sempre pensou na venda de brinquedos, defende o diretor do novo filme, Jon Favreau, que usa a palavra zeitgeist o espírito cultural de uma época para comentar o interesse fenomenal no monstrinho verde.

“As pessoas se conectaram com ele na pandemia de coronavírus, quando, mesmo com muita negatividade, um meme de Baby Yoda bastava para fazer todo mundo se sentir bem”, diz Favreau, que produziu a série e já dirigiu sucessos no cinema como “Homem de Ferro”, da Marvel, e a versão live-action de “O Rei Leão”.

Desafio é fazer a criançada que se encantou com o bicho à época pagar ingresso para vê-lo no cinema e, ainda, reconquistar o público mais velho que “Star Wars” perdeu no caminho.

Por isso, Favreau misturou a dupla, estreante na telona, a um amontoado de elementos clássicos da saga. Há o tradicional letreiro que dá início à trama, cenas de naves disparando na velocidade da luz, monstros gigantescos e até lutas em arenas, que já apareceram em outros filmes da saga.

A referência mais nostálgica está nos antagonistas, irmãos de Jabba, the Hutt a lesma gigante e mafiosa que rouba a cena no início de “O Retorno de Jedi”, de 1983. Os parentes do gângster guardam um segredo que o Mandaloriano com Grogu a tiracolo precisa descobrir a pedido dos seus contratantes da vez. É um homem de freelances, avesso a empregos fixos.

Pedro Pascal, galã do momento, ainda era pouco conhecido quando a série estreou. Por isso, inclusive, a primeira temporada não se apressou e só mostrou o rosto dele após oito episódios. A aura de mistério é o charme de Djin Djarin, pistoleiro solitário que trabalha como caçador de recompensas.

Sete anos depois, o filme mostra Pascal já nos trailers, indo contra o ar de enigma do personagem. Questionado, Favreau diz que teve que encontrar um equilíbrio difícil.

“Se não mostro o Pedro, é uma oportunidade perdida, porque as pessoas gostam dele. Mas, por outro lado, não dá para colocar ele andando por aí sem capacete, mudando as regras do personagem”, afirma o cineasta, que viveu algo parecido quando dirigiu “Homem de Ferro”, com Robert Downey Jr.

Pascal faz a voz do personagem num registro robotizado à la Darth Vader, mas não o interpreta sozinho. Desde a série, o Mandaloriano é vivido por uma equipe de atores e dublês, inclusive um capoeirista nascido no Brasil, Lateef Crowder, que faz as cenas de luta.

Favreau queria que o filme lembrasse os faroestes americanos, referência de George Lucas nos filmes originais. Para isso, o diretor diz ter tido mais dinheiro que na época da série, sem contar o quanto exatamente.

Boa parte do montante foi destinada à construção de cenários grandiosos à época, na TV, isso não acontecia, ele afirma. Em um desses momentos, enquanto se esconde dos seus caçadores, Grogu explora uma floresta de encher os olhos.

Grogu é uma das criaturas mais preciosas da galáxia, e por isso está sempre sob o alvo dos cangaceiros da trama. Mas a verdade é que ele tem poder para amolecer até o guerreiro mais durão de “Star Wars”.

No filme, mais que na série, Grogu faz jus ao apelido que ganhou do público e age mesmo como um bebê se na TV ele emitia sons esquisitos, agora os barulhos são como os de nenéns humanos.

Isso é proposital, afirma o neurofisiologista Billy Nascimento, especialista em neurociência aplicada ao marketing. “Nosso cérebro reconhece padrões de fofuras em filhotes, sejam eles humanos ou animais. Isso desperta reações afetivas que aumentam nossa vontade de interagir e de consumir”, diz ele.

Por isso, até o adulto mais racional pode se inclinar a gastar dezenas ou centenas de reais em produtos do Baby Yoda depois de ver o filme, afirma o especialista.

O potencial de lucro de “O Mandaloriano e Grogu” deve ajudar com o desgaste que a franquia vinha sofrendo. Embora a trilogia iniciada pela Disney nos anos 2010 tenha arrecadado bilhões de dólares “O Despertar da Força”, o revival de 2015, é hoje a sexta maior bilheteria de todos os tempos, parte do público passou a enxergar em “Star Wars” um excesso de autorreferências e uma história sem direção.

O fracasso comercial de “Han Solo: Uma História Star Wars”, em 2018, somou-se à recepção morna de “A Ascensão Skywalker”, no ano seguinte. Depois, a Disney despejou no streaming sete séries derivadas desse universo. Apesar de algumas, como “Andor”, terem interessado o público, a sensação geral é de estafa.

Grogu, de certa forma, traz propósito de volta à saga, diz Koca Machado, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing, a ESPM. “Não existiria esse amor universal se o bicho não tivesse uma narrativa, e ele tem. Fortalece o sentido da ‘força’ ensinado pelos jedi, humaniza o Mandaloriano e cria um senso paterno nele. Isso é fundamental para um personagem viralizar.”

Se Grogu ouvisse isso, certamente soltaria sua risadinha irresistível.

STAR WARS: O MANDALORIANO E GROGU

  • Quando: Estreia nesta quinta-feira (21) nos cinemas
  • Classificação: 14 anos
  • Elenco: Pedro Pascal, Sigourney Weaver e Jeremy Allen White
  • Produção: EUA, 2026
  • Direção: Jon Favreau

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