Brasil “dá o nome” na abertura do Santos Carnaval 2026 e sonha com retorno à elite
Por Rodrigo Cirilo em 06/02/2026 às 22:19
A Brasil iniciou o Santos Carnaval 2026, na noite desta sexta-feira (6), “dando o nome”. A Campeoníssima brincou com as cores do pavilhão da escola para mergulhar na riqueza das diversas características nacionais. Patrimônio cultural imaterial da cidade, a escola da Aparecida busca ficar entre as duas primeiras colocadas do Grupo de Acesso para retornar à elite, onde é a segunda maior campeã, com 17 títulos.
O enredo Hoje é dia de Brasilidades celebrou as manifestações culturais presentes em toda a extensão territorial do país, partindo da culinária, passando pela religião e pela arte, e chegando ao futebol. Após a comissão de frente, a primeira das 14 alas trouxe as feiras livres, retratando um mosaico de cores, sabores e vozes que diariamente despertam as cidades brasileiras.
Arianna Lopes, de 43 anos, fez sua estreia na Brasil e falou sobre a responsabilidade de integrar a primeira ala do Santos Carnaval.
“Foi a primeira vez. A gente já desfilou outras vezes, mas nunca tão à frente assim. Dá mais nervoso. Normalmente saímos na Padre Paulo; na Brasil é a primeira vez. E, com certeza, esperamos conquistar o acesso. No ano passado, a Padre Paulo conseguiu, então agora viemos para dar sorte à Brasil”, afirmou.

Essa mistura tipicamente brasileira seguiu ao longo do desfile de cerca de 500 componentes e uma alegoria, seja no giro das baianas, que trouxeram o tempero da feijoada e do acarajé, seja no batuque da bateria Feitiço Brasileiro, comandada pelo mestre Binho, como reforçou o samba-enredo.
Sou o feitiço que invade o coração
Do samba ao funk, sou pura emoção!
Que coisa mais linda a brasilidade
Da bossa ao forró, nossa identidade!
O destaque ficou por conta da ala que apresentou a ginga da capoeira marcada pela inclusão, com 25 componentes da Apae. O mestre de capoeira Márcio Santos, que atua há 30 anos com diversidade e esteve à frente da ala, destacou a importância do momento.
“A gente segue nessa ala da inclusão e também representando a capoeira. A brasilidade que a Brasil mostrou aqui na avenida é muito importante para nós. Poder apresentar a capoeira para todos, reafirmando que o nosso segmento afrodescendente deve ser sempre inclusivo, é relembrar a memória dos nossos ancestrais, como ensina a cultura Ubuntu: ‘eu sou porque nós somos’. Esse coletivo faz parte da nossa ancestralidade, e a cultura popular precisa ser inclusiva”, disse.

Após a capoeira, a Brasil levou para a avenida outras expressões culturais e manifestações religiosas, como o maracatu e o boi-bumbá, reforçando o sentimento de orgulho e pertencimento à cultura brasileira. Também houve espaço para homenagens à literatura, com autores como Machado de Assis e Clarice Lispector. Na música, nomes como Tom Jobim, Cartola e Luiz Gonzaga foram citados no samba-enredo. Por fim, Pelé, o Rei do Futebol, encerrou as reverências.
Deus é brasileiro e está com a Brasil no Carnaval?
A Brasil encerrou o desfile no limite dos 45 minutos, afirmando que “Deus é brasileiro” e está sempre presente na vida do povo. A agremiação pede a bênção divina para deixar o Grupo de Acesso, onde amargou a última posição no ano passado, e voltar à elite do Carnaval.

A escola desfilou apenas quatro vezes no Grupo de Acesso ao longo de seus 76 anos de história. Além do resultado ruim na última edição, a escola do Zé Carioca conquistou o título em 2011 e foi vice-campeã em 2019 e 2020. Em caso de repetição de qualquer um desses resultados, a Campeoníssima garantirá o retorno à elite.
O Carnaval 2026, com transmissão multiplataforma do Sistema Santa Cecília de Comunicação, tem o patrocínio do Grupo Yamam, Pedra Baiana (Aparecida) e Sabesp. O apoio da Piso Lessa e Praiamar Shopping.