Vídeos e áudios revelam o rastro de ameaças do homem que esfaqueou a ex 13 vezes em São Vicente

Por Anna Clara Morais em 13/05/2026 às 20:10

Montagem / Divulgação
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Novas imagens de câmeras de monitoramento e mensagens de aplicativos revelam o terror psicológico imposto por Thalys Feitosa da Silva, de 19 anos, contra sua ex-namorada em São Vicente, no litoral de São Paulo. Mesmo após sobreviver a 13 facadas em 2025, a vítima continuou sendo alvo de ameaças de morte explícitas, como “vou te queimar viva”, culminando na invasão ocorrida na última semana e capturada em vídeo.

O jovem foi preso no Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, na última segunda-feira (11).

Imagens de monitoramento

O vídeo do circuito de segurança mostra o momento exato em que Thalys ignora a medida protetiva e invade a residência. Ele aproveita uma falha no portão da vítima para entrar no quintal com sua motocicleta por volta de 0h do último dia 5.

Dentro da residência, onde não há imagens de monitoramento, a vítima se defendeu do ataque. “Quando ele chegou, a água já estava esquentando. Eu o vi, me assustei, me tremi e ele já foi tentar me agredir novamente. Quando ele levantou, pedi para ele abaixar para ver um negócio debaixo da pia e joguei a água nele”, relata a mulher.

Antes da agressão, ela havia enviado uma mensagem para a irmã avisando que o acusado havia chegado e pediu para que ela corresse até o local. Quando a irmã chegou, a vítima já estava saindo da casa e ambas correram juntas. Logo na sequência das imagens, é possível ver a irmã da vítima gritando e correndo atrás de Thalys, após ele ser atingido pelo líquido fervente.

Ameaça por mensagens mesmo após as 13 facadas

O material obtido pela reportagem mostra que a medida protetiva não foi barreira para o agressor. Em capturas de tela (prints), Thalys afirma que nada o impediria de matá-la. Em uma chamada telefônica, ele questiona com frieza: “Tá viva ainda? Você sabe que não acabou ainda, né? Você vai me pagar por tudo o que me fez”.

Histórico de agressões inclui 13 facadas

A vítima, que não será identificada, conta que conheceu Thalys em agosto de 2025 por meio de amigos em comum. No início do relacionamento, segundo a mulher, o rapaz a tratava bem, mas após dois meses, ele passou a demonstrar crises de ciúmes e atitudes agressivas.

Após a mudança no comportamento do jovem, a vítima decidiu terminar o namoro, o que gerou a primeira agressão física. “Eu falei que não queria mais, mas ele não aceitou muito bem. Ele me deu um soco no olho e tive que trabalhar a semana inteira com um roxo no rosto”, relembra.

Após o ocorrido, houve a separação, momento em que Thalys começou a ameaçá-la. Uma semana após a primeira agressão, no dia 22 de outubro de 2025, ele desferiu as facadas. “Foram 13 facadas em todo o meu corpo. Fui para o hospital, mas ele nunca deixou de me ameaçar e sempre me ligava de números desconhecidos. Pedi a medida protetiva e tive que ir para São Paulo. Fiquei um tempo por lá, mas, desde que voltei, não tive paz”, afirma a vítima.

Ainda segundo o relato, em abril deste ano, o acusado voltou a procurá-la pedindo que retirasse a medida protetiva para que ele pudesse ver o filho de um relacionamento anterior. Após muita insistência, ela decidiu que iria retirá-la, mas a casa foi invadida antes que o procedimento fosse realizado.

O advogado da vítima, Paulo Leandro Ferreira, afirma que a jovem passou por sete meses de terror. “Acompanhamos o processo e o inquérito policial para que ele seja condenado e possa cumprir sua pena, permitindo que ela tenha a vida normalizada novamente”, declarou.

Versões do caso

O delegado Rogério Pezzuol, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de São Vicente, esclareceu que a prisão preventiva foi efetuada pelo descumprimento da medida protetiva. Ele reiterou que a reação da vítima com água quente ocorreu estritamente para cessar uma “agressão iminente”, configurando legítima defesa. Pezzuol informou ainda que as investigações prosseguem: “Estamos analisando outros delitos; assim que apurados, vamos relatá-los no inquérito”.

Por outro lado, o advogado de Thalys, Alex Sandro Gomes da Silva, busca suavizar a conduta de seu cliente. Ele alega que o jovem não teve a intenção de matar no episódio das 13 facadas, mas sim de “lesionar ou dar um susto”.

A defesa sustenta ainda que Thalys desconhecia a medida protetiva por não ter sido intimado pessoalmente, tendo sido citado apenas por edital. Por fim, o advogado afirma que ambos mantinham contato voluntário e convivência pacífica por meio de mensagens antes da invasão, tendo inclusive se encontrado na noite anterior aos fatos.

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