Copa do Mundo acende alerta sobre pirataria de camisas da Seleção na Baixada Santista; Procon dá dicas

Por Laura Andrade em 08/06/2026 às 05:00

Foto: Receita Federal
Foto: Receita Federal

O clima da Copa do Mundo de 2026 mexe com o bolso e com o coração dos torcedores, mas também acende um sinal de alerta para o comércio legalizado. Com o início do mundial, a venda de camisas falsificadas da Seleção Brasileira disparou nas ruas e em plataformas digitais.

Muitos consumidores optam deliberadamente pelas réplicas por conta do preço mais acessível. No entanto, há uma parcela significativa de compradores que adquirem o produto enganados, acreditando estarem levando um item oficial, já que diversas lojas físicas e virtuais comercializam as peças falsas alegando falsamente serem originais.

A venda ilegal afeta diretamente os lojistas locais que atuam dentro da conformidade, recolhem impostos, mantêm empregos formais e investem na qualidade do estoque. Além do severo impacto macroeconômico, a pirataria corrói a confiança do consumidor e estabelece uma concorrência desleal com o varejo regular.

Prejuízos bilionários e o desafio do custo Brasil

O presidente do Sincomercio Baixada Santista e Vale do Ribeira, Omar Abdul Assaf, explica que, embora não exista um levantamento estatístico regional exclusivo para as duas áreas, os estudos macroeconômicos nacionais apontam que a pirataria gera perdas bilionárias ao comércio formal todos os anos.

“No varejo, o prejuízo vai muito além da venda que deixa de ser realizada. Há também impactos profundos na arrecadação de tributos, na geração de empregos e na competitividade das empresas que seguem à risca todas as exigências legais. É um problema crônico que afeta toda a cadeia econômica”, declarou Omar.

Um dos principais desafios do setor é a disparidade de preços. O comerciante formal precisa embutir no produto custos tributários, trabalhistas, logísticos e operacionais que simplesmente inexistem na atividade clandestina.

“Existe um desafio imenso de conscientizar o consumidor sobre a importância de adquirir produtos originais, que oferecem garantia real de fábrica, procedência e qualidade têxtil”, destaca o presidente do Sincomercio.

Termômetro do balcão com as camisas da seleção

Os reflexos desse mercado paralelo são sentidos diretamente nos shoppings da região. O empresário Ally Sayah, proprietário da rede de lojas de artigos esportivos Ally Futebol, com unidades nos shoppings Brisamar, em São Vicente, e Praiamar, em Santos, relata que os efeitos da falsificação são percebidos com maior intensidade na filial vicentina devido à proximidade com o comércio informal de rua (camelôs). Ele nota que o preço baixo do mercado paralelo frequentemente gera incerteza e desconfiança nos clientes.

Ainda assim, o comerciante garante que o público que busca o mercado formal é fiel e prioriza o acabamento, a durabilidade do tecido, a precisão das costuras e a autenticidade das etiquetas, que costumam vir com graves erros de grafia ou informações adulteradas nas versões piratas.

“A concorrência com as falsificadas não muda a nossa essência. Quem busca qualidade e um produto oficial para guardar de recordação da Copa sabe onde encontrar”, afirma Ally.

Como identificar e o que fazer em caso de fraude nas camisas da seleção

O Procon Santos orienta que o consumidor adote uma postura de cautela extrema na compra de uniformes de futebol. O órgão de defesa do consumidor listou os principais sinais de alerta que podem indicar que uma camisa é falsificada:

  • Preço irreal: Valores excessivamente abaixo da tabela praticada pelo fabricante oficial;
  • Ausência de nota fiscal: A recusa na emissão da nota fiscal é o principal indício de ilegalidade;
  • Acabamento precário: Costuras irregulares, rebarbas de linha, escudos desalinhados ou selos holográficos com falhas de colagem;
  • Qualidade do tecido: Toque áspero, transparência excessiva e falta de elasticidade em comparação à tecnologia dry-fit original;
  • Embalagem e dados: Sacos plásticos improvisados e ausência de informações claras sobre o CNPJ do fabricante, composição do tecido e país de origem nas etiquetas internas.

Fui enganado, e agora?

De acordo com o diretor do Procon Santos, Sidney Vida, caso o consumidor descubra que comprou um produto falsificado sob a promessa de que era original, deve procurar imediatamente o fornecedor portando o comprovante de pagamento para exigir seus direitos.

“Pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), há uma falha grave na relação de consumo caso o produto entregue não corresponda à oferta. O cidadão pode exigir a troca pelo produto original, o cancelamento imediato da compra com a devolução integral do valor pago ou outra reparação cabível. Se não houver acordo com o lojista, deve registrar uma reclamação formal no Procon munido de todos os prints, anúncios e comprovantes disponíveis”, detalha Sidney Vida.

O recado principal é simples: produto legítimo precisa de procedência clara. Quem vende tem o dever legal de informar corretamente as especificações do item, e quem compra deve exigir o documento fiscal. No mercado da bola, quando uma camisa parece “barata demais para ser verdade”, o prejuízo geralmente já está estampado antes mesmo do apito inicial.

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