07/10/2021

Variante delta da covid-19 continua sendo preocupação, diz infectologista

Por Santa Portal em 07/10/2021 às 15:07

Imagem ilustrativa/Unsplash
Imagem ilustrativa/Unsplash

Embora o coordenador e o coordenador executivo do Comitê Científico do Governo do Estado de São Paulo, Paulo Menezes e João Gabardo, acreditem que a variante delta não é mais uma preocupação, visto ao grande número de imunizados, nem todos os médicos concordam com isso. A infectologista Elisabeth Dotti se manifestou sobre a variante em circulação.

De acordo com a médica, para que haja uma tranquilidade em relação a covid-19, é preciso que 80% da população esteja totalmente vacinada. “Só 60% não é o ideal. Temos que nos preocupar com a delta sim, ainda mais porque há subvariantes dela. Não concordo. Não podemos sair para farra e relaxar”, defendeu.

Dotti explica que a variante tem uma característica de parecer com uma gripe leve, com coriza, febre baixa, tranquilo. “Eventualmente as pessoas acabarão se resfriando e não levarão à sério, causando a demora no atendimento médico. E quando tiverem contato com especialistas, já vai ter passado o tempo e está em um quadro mais grave. Não é uma variante mais grave, é mais capciosa. Confunde o paciente e quem está atendendo”, explicou.

Continuar seguindo com rigor as recomendações de segurança é o único caminho, segundo a médica. “Todo mundo quer a vida de volta, mas precisamos ter consciência. A variante delta vem da Índia e tem uma grande capacidade de transmissão. Violentamente mais rápida que as demais. Tem facilidade de passear entre a população. A gente está em um momento bom, com diminuição no número de leitos, grande número de vacinados, mas se a população continuar sem fazer distanciamento, não usando máscara e aglomerando, além de não buscar a imunização, toda a flexibilização pode ir por água abaixo. Estados Unidos é um grande exemplo. Precisou retroceder. Tenho medo de terceira onda sim, porque a população acredita que a pandemia acabou”, destacou.

Posicionamento do Governo de Estado

De acordo com Menezes, há alguns meses, a previsão é que a situação seria difícil pelo surgimento da variante delta. No entanto, não foi o que aconteceu. “Em março, tivemos um pico de média móvel de três mil internações por dia. Isso caiu em 84% atualmente”, disse.

Gabardo explicou que, mesmo que 90% dos casos em investigação hoje sejam delta, o efeito é “insignificante, pois as pessoas estão com taxa elevada de imunização, especialmente em segunda dose”.

“O monitoramento diário mostra que mesmo a população com maior faixa etária mantém taxas de internação e óbito quase insignificante, número muito pequeno. O número de pessoas internadas hoje, em sua maioria esmagadora, é de pessoas que não completaram o esquema vacinal. Mas o número que eu queria destacar hoje é 99.9% da população acima de 18 anos já tomou a primeira dose. E o que significa isso? Que o número de pessoas que se nega a tomar vacina no estado é insignificante”, declarou.

O Estado de São Paulo chega hoje a 60% da população totalmente imunizada contra a covid-19, superando os índices dos Estados Unidos e da Europa. São Paulo também lidera o ranking de cobertura com esquema vacinal completo entre todas as unidades federativas.

“Segundo dados da plataforma ‘Our World in Data’ da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que mede as taxas de vacinação em todo o mundo, o índice de 60% em São Paulo supera os 55% dos Estados Unidos e os 52% da média geral dos 50 países do Continente Europeu”, afirmou o governador João Doria.

No Brasil, São Paulo lidera os estados com melhor performance na cobertura vacinal completa. Na sequência, Mato Grosso do Sul tem 58,7%. Em relação ao Rio Grande do Sul, São Paulo está cerca de dez pontos percentuais à frente. Os outros sete estados que lideram as dez primeiras posições do ranking têm coberturas que variam 41% a 46%, sendo: Paraná, Espírito Santo, Santa Catarina, Ceará, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Norte. As informações destes percentuais são do Consórcio de veículos de imprensa a partir dos dados das Secretarias estaduais de Saúde.

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