Lutando por R$ 240 mil para pagar tratamento do filho, mãe comenta apoio: “gratidão”
Por Noelle Neves em 08/07/2021 às 10:04
Um menino pacato, caseiro, muito família. Brincalhão, piadista e profundamente apaixonado pela esposa e pela filha de 7 meses. É assim que Alessandra Alvarez descreve o filho, Kauê Janak Alvarez Claudino, de 24 anos. Há 13 dias, essa mãe lida com a saudade intensa do jovem e luta para conseguir R$ 240 mil, quantia necessária para tratar as sequelas da covid-19.
O engenheiro de software começou a manifestar os sintomas da doença em 12 de junho. Até então, somente dor de cabeça. Dois dias depois, sentindo a piora, foi ao hospital. Por lá, não quiseram fazer exame. Foram necessárias três tentativas para que o PCR fosse realizado.
“Tivemos que ser firmes para que cedessem. Voltamos ao hospital mais duas vezes , porque estava com falta de ar, febre, dor no corpo. Só medicavam e mandavam para casa. No dia 23, uma amiga médica foi visitar e observou a baixa saturação. Foi internado na madrugada e, dois dias depois, precisou ser entubado”, recordou Alessandra em entrevista ao Santa Portal.
Os boletins médicos pioravam diariamente e a família decidiu correr atrás de outras alternativas. Uma delas foi o tratamento com Oxigenação por Membrana Extracorpórea (ECMO), conhecido como um pulmão artificial. “No começo, foi desesperador. Mas um amigo do pai do Kauê ficou na ECMO por um tempo e por meio dele, recebemos todos os detalhes. Logo pedimos transferência para um hospital em São Paulo para que iniciasse o quanto antes”, contou.
De acordo com a mãe, quando conversaram com o médico, receberam a notícia de que não poderia ser transferido, pois não tinha indicação para a ECMO. Ao ligar para o local, também descobriram que o convênio médico não cobria. Dessa maneira, para que o tratamento seguisse, seria preciso contratar uma equipe médica especializada para instalar o aparelho e ainda acompanha-lo na UTI Móvel.
“Começamos a pedir orçamentos. Para a instalação com uma membrada, R$ 90 mil. A equipe médica para cuidar dele no período de ECMO, R$ 100. Durante o tratamento, é possível que precise de mais uma membrana para máquina, que custa R$ 52 mil. Até a ambulância o convênio não conseguiu nos mandar, foram 19 horas de espera e acabamos pagando uma no particular, no valor de R$ 5.800. Corremos contra o tempo, porque não tínhamos o transporte”, disse.
Sonho de criar a filha
Enquanto luta pela vida, Alessandra tem certeza de que o combustível de Kauê é a filha. “O maior sonho dele é vê-la crescer, cria-la com amor e carinho. Ele também é muito apegado a mim e a irmã e sempre compartilhava fotos e vídeos da bebê conosco. Depois que virou pai, se tornou mais amável e aprendeu a dizer que ama com facilidade”.
Com apenas 24 horas na ECMO, a família recebeu as primeiras notícias otimistas. Ele está respondendo bem ao aparelho. O pulmão está menos inflamado e a oxigenação e a saturação estão melhores. No entanto, ainda é classificado como paciente grave e em risco. Apesar disso, para Alessandra, qualquer pequena resposta é um ponto para renovar a esperança.
“Hoje, ele tem uma chance pra lutar pela vida, sem a ECMO essa luta era desigual.. Meu coração de mãe me dizia que na Baixada Santista daria errado. Por isso, decidimos transferi-lo para São Paulo. Consigo ter confiança de que ele vai se recuperar, demos uma arma para ele matar essa doença”, declarou.
Apoio popular
O tratamento com ECMO é caro. Em primeiro momento, foram buscar por empréstimos e ajuda com familiares. Depois, surgiu a ideia de uma vaquinha online. O que a mãe do engenheiro não imaginava era a comoção na internet com o caso.
“Sempre participei e fiz doações. Muitas pessoas estão contribuindo. Vamos prestar conta de tudo. Eu não consigo palavras de gratidão para tanto amor emanado para o meu filho, tantas orações e mensagens que recebo! Deus é muito bom, o mundo está cheio de anjos e tudo isso tem me dado força para lutar pela vida do Kauê”, concluiu.