30/11/2021

Epidemiologista afirma que é cedo para dizer se é seguro realizar Carnaval

Por Santa Portal em 30/11/2021 às 06:20

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou como “preocupante” a descoberta da nova variante da covid-19, chamada de ômicron. A variante foi descoberta na África do Sul, e já foi detectada em países europeus. No Brasil, ainda é cedo para definir se a variante será capaz de reverter planos como a queda da obrigatoriedade do uso de máscara e realização do Carnaval.

O médico epidemiologista José Geraldo Leite Ribeiro afirma que ainda é cedo para dizer, e que os estudos ainda são iniciais. Por isso, não é possível afirmar com certeza se a nova variante será capaz de impedir eventos no fim de ano e início de 2022. 

“Nós estamos ainda num momento de conhecimento da variante. As mutações detectadas pelos pesquisadores africanos nos induzem a pensar que essa variante seja de fácil transmissão e que ela escape muito da imunidade de quem já teve a doença, mesmo quem esteja vacinado. Escape no sentido de infectar, de causar doença leve, e com isso aumentar a transmissibilidade, mas tudo ainda ainda precisa ser demonstrado na prática. Esses dados ainda são muito incipientes, daí esse termo de preocupação”, explica o médico.

A respeito do nível de letalidade, o especialista diz que não há certeza até o momento, mas que a cobertura vacinal pode ser decisiva para os casos não evoluírem para mortes. “O aumento de casos onde ela circulou na África do Sul não foi acompanhado de aumento de mortalidade”, diz.

“Mas isso é difícil de ser analisado com dados iniciais, porque, por exemplo, se ela circula em uma situação em que as pessoas têm duas ou três doses de vacina, provavelmente vai ter casos, mas não deve ter mortes e internações hospitalares. Se ela circula em uma região onde as pessoas não estão com as duas doses de vacina, muito provavelmente ela terá a mesma letalidade que tivemos com as variantes anteriores, o que já é muito grave por si só”, completa.

Vacinação

No Brasil, os índices de vacinação têm sido satisfatórios, quando comparados a outros países, mas isso não significa que a variante não possa se instalar por aqui. “Nós estamos em vantagem em relação a alguns países, mas ainda não cumprimos o dever de casa. Precisamos chegar a uma cobertura máxima possível com duas doses acima de 12 anos. Nós precisamos ser rápidos”, diz Ribeiro.

O atraso de algumas pessoas para tomar a segunda dose, segundo o médico, pode comprometer a situação. “O ideal é que, em dezembro, nós consigamos completar de 80% a 90% de pessoas com as duas doses da vacina, e de 90% naqueles grupos em que a terceira dose for indicada”, segundo o epidemiologista. Ele ainda ressalta que, quem tomou a dose no início de 2021, já tem a imunidade mais baixa contra o vírus, e isso pode ser um fator decisivo para que novas variantes surjam.

Realização de eventos

O epidemiologista afirma que a divergência entre os governos é preocupante, já que a flexibilização pode ocorrer em alguns estados e municípios em que a vacinação está mais avançada, mas não em outros, em que a cobertura vacinal ainda não está perto do ideal.

“O que eu acho lamentável é a falta de liderança no país. Cada estado, cada município tomando medidas da sua cabeça. Eu acho isso muito perigoso, porque nós não vencemos, infelizmente, esse vírus ainda, e retomar uma cultura de uso de máscaras que nós já havíamos estabelecido é muito difícil”, diz José Geraldo.

“Há variantes circulando pelo mundo que podem nos atingir, então é lamentável para um país como o nosso que os governantes estejam cada um tomando decisões por conta própria, e nós não tenhamos uma liderança nacional forte, conduzindo esse processo de flexibilização. Particularmente, fico muito preocupado, há uma tendência de municípios que estão em uma pior condição de cobertura vacinal irem acompanhando atitudes de outros governantes”, explica.

Com relação à realização de festas de Réveillon e Carnaval, o epidemiologista diz que entende a importância que estas épocas têm economicamente, em especial nas cidades turísticas, mas que tudo isso exige planejamento, e é impossível prever como estará a situação no futuro.

“Talvez hoje nossos indicadores permitissem a realização, em alguns locais, do Carnaval. O Carnaval é muito importante para muitas pessoas, ainda mais do ponto de vista econômico, para muitos municípios. Mas como eu vou prever o que vai acontecer em fevereiro? Como estará a nossa situação na época do carnaval? Será que estaremos com os mesmo indicadores? Será que essa nova variante terá penetrado no Brasil? E o Carnaval precisa de planejamento, pode ser que na época a gente chegue à conclusão de que seja possível, ou não, mas o Carnaval precisa de investimento, licitações, e eu acho uma aventura confirmar o Carnaval nesse momento”, finaliza o médico.

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