Bruxismo é um problema que atinge cada vez mais crianças
Por Santa Portal em 15/03/2022 às 14:00
O bruxismo, hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes que pode causar diversos problemas físicos e afetar diretamente a qualidade de vida dos pacientes, está atingindo cada vez mais as crianças. Quem faz esse alerta é a cirurgiã-dentista Aline Graziele Fernandez, da Sorridents Santos e São Vicente, que comenta que 50% das crianças atendidas em sua clínica mensalmente apresentam desgaste dental causado por esse problema.
As causas do bruxismo são diversas. Entre as principais, a especialista aponta problemas de estresse, ansiedade e cobrança como algumas que podem implicar nessa disfunção nos pequenos.
“O bruxismo em crianças é cada vez mais comum, mas não deve ser considerado normal. O que a criança faz antes de dormir pode influenciar muito na qualidade do sono. E, portanto, no surgimento do bruxismo. Joguinhos emocionantes, ficar muito tempo na frente das telas e até problemas com a família, cobranças excessivas, separações repentinas, tudo isso pode influenciar”, explica.
De acordo com a Dra. Aline, as redes sociais também podem se tornar uma fonte de estresse para as crianças e desencadear o bruxismo.
“A criança, por ser mais inocente, tende a acreditar em tudo o que ela vê. Então, pode comparar a vida dela com a dos outros nas redes sociais e achar que a do colega é melhor que a dela, mais feliz, gerando estresse. Situações como essa ou cobranças excessivas, geram ansiedade, contribuindo para o surgimento do bruxismo, principalmente no período do sono, que é o mais comum na infância”, comenta.
Normalmente, os sinais de bruxismo são dores de cabeça, insônia, dor e sensibilidade nos dentes, dor e zumbido no ouvido, no pescoço e na face. “Se não tratado adequadamente, pode causar problemas como desgastes ou fraturas nos dentes, dificuldades de mastigação e alterações na formação das estruturas da boca e mandíbula”, alerta.
Tratamento multidisciplinar
Tanto em adultos, quanto em crianças, o bruxismo deve ser tratado assim que diagnosticado. Sendo necessário, em alguns casos, o envolvimento de mais de um especialista.
“Inicialmente, é essencial um acompanhamento psicológico para entender e tratar a causa do estresse. Nós, cirurgiões-dentistas, entramos com os cuidados paliativos, com uso de placas para dormir, por exemplo, que aliviam os sintomas. Mas, é muito importante, que os profissionais atuem juntos para identificar as possíveis motivações e evitá-las. Sejam elas emocionais, ou hábitos prejudiciais, como mascar chiclete, chupar chupeta e roer as unhas”, finaliza a cirurgiã-dentista, Aline Fernandez.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que essa disfunção atinge cerca de 84 milhões de brasileiros. O que equivale a 40% da população do país.