Bolsonaro diz que vacina “pode ser” motivo para diminuição nos casos de covid

Por Santa Portal em 11/10/2021 às 06:01

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a defender o tratamento com cloroquina e ivermectina para a covid-19, que comprovadamente não possui eficácia contra o vírus. Ele alega que os medicamentos são capazes de curar a doença caso sejam tomados nos primeiros quatro dias de sintomas manifestados. O presidente ainda disse que a vacina contra a covid-19 “pode ser” o motivo para a queda no número de casos da doença no país.

As afirmações foram feitas neste domingo (10) no Forte dos Andradas, em Guarujá, onde Bolsonaro está hospedado para passar o feriado de Nossa Senhora Aparecida desde sexta-feira (8). A entrevista foi publicada na íntegra na internet.

Sobre a CPI da covid-19, o presidente afirmou que “é perder tempo acompanhar”. Ele teceu críticas a Omar Aziz, Renan Calheiros e Randolfe Rodrigues. “O que eles colaboravam no combate à pandemia? O que eles faziam quando tínhamos um problema sério pela frente e o vírus realmente estava levando muita gente a óbito? Ficaram em casa, deixando tudo acontecer e de repente aparecem como salvadores da pátria”, disse.

Bolsonaro afirmou não ter acompanhado a CPI, e apenas ter lido resumos diários. “Tentaram de toda maneira buscar algo errado e não acharam nada, porque não tinha, se tivesse teria até ajudado a elucidar o fato. Querem me rotular daquilo que eles sempre foram no passado: corruptos. Então, bateram muito na questão da cloroquina”, considerou.

Rodeado de apoiadores, Bolsonaro perguntou quais deles haviam tido covid-19, e cerca de sete pessoas, das cerca de trinta que estavam no local, levantaram a mão. Depois, perguntou  quantos teriam tomado cloroquina e ivermectina, momento em que cerca de doze pessoas levantaram a mão.

Satisfeito pela reação, o presidente disse que, “a gente estava numa guerra. A gente tinha que fazer alguma coisa, algo diferente apareceu na tua frente, juntei gente de tudo quanto era lugar, embaixadores, países da áfrica, médicos, tínhamos que buscar uma alternativa, e chegou-se aí que já estava sendo usado ivermectina e cloroquina”.

“Tinha comprovação científica? Não tinha. Como as vacinas foram aplicadas sem comprovação científica também. Eu mesmo, quando tive ano passado, tomei e no dia seguinte estava bom. Eu tenho mais anticorpos que vocês que por ventura tenham tomado vacina”, completou. 

Sobre a infecção por covid-19 do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante a ida da comitiva presidencial aos Estados Unidos para a Assembleia-Geral da ONU, Bolsonaro disse que o ministro fez uma escolha entre ir ao hospital ou tomar os remédios, mas não revelou o que aconteceu de fato. Ele ainda lembrou o fato do ministro ter se vacinado com as duas doses da CoronaVac, e mesmo assim, ter sido infectado

Questionado sobre a que atribui a queda nos casos de covid-19 no País, Bolsonaro respondeu que a vacina pode ter sido um dos fatores. “Pode ser a vacina ou pode ser a imunidade de rebanho. Não tem nada certo sobre isso ainda”, disse.

Contraindicação

Um documento elaborado pelo Ministério da Saúde após revisão de estudos e diretrizes com especialistas não recomenda o uso de medicamentos como a hidroxicloroquina, cloroquina, azitromicina, ivermectina e outros, como o remdesivir, para tratamento de pacientes hospitalizados com covid-19.

O parecer abre espaço para uso de um grupo restrito de medicamentos, como corticoesteróides (caso da dexametasona) e anticoagulantes, mas em casos específicos e conforme orientações.

O parecer foi feito por um grupo técnico formado na gestão do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e coordenado pelo professor Carlos Carvalho, da USP. No início de maio, a coluna Painel revelou que o grupo já pretendia não recomendar os remédios em diretriz hospitalar.

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