Anvisa envia ofícios para Vigilâncias de São Paulo sobre Prevent Senior
Por Santa Portal e Folha Press em 29/09/2021 às 17:40
A Anvisa enviou nesta quarta-feira (29) ofícios solicitando informações sobre a regularidade sanitária de unidades da rede Prevent Senior em São Paulo.
Nos documentos remetidos, a Agência solicita que lhe sejam encaminhadas, no prazo de 48 horas, informações sobre as medidas adotadas pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (Covisa) da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e pelo Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do estado de São Paulo, para fins de cumprimento da legislação sanitária vigente.
Irregularidades
De acordo com uma planilha obtida pela Globonews, nove pacientes que participaram do estudo da Prevent Senior morreram – seis deles tomaram hidroxicloroquina. Ou seja, ao todo, sete mortes foram ocultadas pela Prevent Senior.
Os médicos relataram ainda a falta de autorização para determinados procedimentos e falhas éticas. O estudo teria sido feito com mais de 700 pacientes, sem submissão à Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa).
O projeto inicial tinha autorização para trabalhar com 200 pessoas. O estudo com hidroxicloroquina da Prevent Senior chegou a ser suspenso por indícios de irregularidades, mas mesmo assim a empresa teria seguido medicando clientes.
O documento também citou uma mensagem na qual Fernando Oikawa, diretor da Prevent Senior, anunciou um protocolo e pediu que pacientes não fossem avisados.
“Iremos iniciar o protocolo de hidroxicloroquina + azitromicina. Por favor, não informar o paciente ou familiar sobre a medicação nem sobre o programa”, afirmou Oikawa em mensagem divulgada pela emissora.
Outra mensagem do diretor, contida no dossiê, trouxe a prescrição de remédio contra câncer de próstata: “Bom plantão a todos e enfatizo a importância da prescrição da Flutamida 250 mg de 8/8h para todos os pacientes que internarem. Estamos muito animados com a melhora dos pacientes”.
O documento analítico produzido pela CPI da covid, com base no dossiê, indicou que teria sido adotado o “uso de morfina para pacientes que não recebiam todos os tratamentos para a reversão do estado clínico”.
“Segundo os médicos, esta era uma prática comum para os pacientes que iriam morrer no tal ‘paliativo’.”