Unidos dos Morros aposta no “jeitinho brasileiro” e transforma o jogo do bicho em enredo
Por Santa Portal em 28/01/2026 às 05:00
A Unidos dos Morros aposta no imaginário popular e na crítica social bem-humorada para conquistar a Passarela do Samba Dráuzio da Cruz. Com o enredo O Bicho Nosso de Cada Dia – Um jeitinho brasileiro de sonhar, a escola apresentou os detalhes do desfile no programa Papo de Samba, transmitido ao vivo na 107,7 FM nesta terça-feira (27), data em que a agremiação completou 48 anos de história.
Participaram do bate-papo o patrono Manoel Matheus, o carnavalesco Igor Carneiro, o músico Emerson Peres, o Xuxu do Cavaco, e MV, intérprete da ala musical. A escola é a última a desfilar no Santos Carnaval 2026, no dia 7 de fevereiro.
Segundo o carnavalesco Igor Carneiro, o jogo do bicho surge no desfile como metáfora da própria sobrevivência brasileira. “A gente está falando do jeitinho brasileiro, de como o brasileiro se safa das adversidades. O jogo do bicho nasceu também com essa função: dar um jeito, ajudar famílias a sonharem com uma vida melhor”, explicou.
A narrativa começa na transição da Monarquia para a República, período em que o jogo ganha forma no Rio de Janeiro, a partir das iniciativas do Barão de Drummond no zoológico da cidade. “A gente usa esse gancho político para fazer uma sátira. Princesa Isabel, Marechal Deodoro, o próprio Barão… todos tinham seus ‘bichos interiores’. Cada um carrega o seu”, brincou o carnavalesco.
A partir daí, o desfile avança pelo misticismo, pela fé popular, pelos vendedores de rua, pelos jornais e programas de rádio da época, até chegar ao cotidiano de quem faz a “fezinha” e sonha com o prêmio. O fechamento vem em clima de “grande apoteose”, unindo o jogo do bicho e o Carnaval como paixões nacionais.
Plástica renovada
Responsável pela concepção artística, Igor destacou que a Unidos dos Morros aposta também em renovação visual. “Vamos mudar o estilo da Comissão de Frente, que vinha sendo apresentado há cerca de 20 anos. Este ano, misturamos teatralidade com dança, já fazendo uma sátira do próprio enredo”, contou.
A preocupação, segundo ele, sempre foi garantir uma leitura clara na Avenida, com desfile exuberante para impactar o Carnaval mais uma vez. “Procurei deixar tudo de forma sucinta e fácil de entender. O enredo tem história, identificação com o público e crítica social. Casou como uma luva”, comparando com desfiles campeões de 2020 a 2024 e o terceiro colocado do ano passado. .
Essa clareza também se reflete no samba, que rapidamente caiu no gosto da comunidade. “É um enredo totalmente popular. A escola abraçou, o samba acompanhou e criou uma atmosfera de escola campeã”, afirmou. Para Igor, metade do resultado já está construída. “A gente trabalha 50% o ano todo. Os outros 50% acontecem na Avenida, com a escola e o público cantando junto”, avaliou.
Entre gerações
Patrono da Unidos dos Morros, Manoel Matheus destacou a força simbólica do enredo e revelou que também levará à Avenida uma homenagem pessoal. “O jogo do bicho é uma expressão cultural brasileira. Antes que vire apenas memória, vamos contar essa história no Morros”, afirmou.
Manoel representará seu pai, Maneco Perneta, figura histórica exaltada no samba-enredo como “o gênio do jogo”. Espanhol de nascimento, Maneco chegou a Santos em 1929 e iniciou sua trajetória como banqueiro do jogo do bicho em 1939, aos 18 anos, tornando-se um dos precursores da atividade na Baixada Santista.
“Ele era um sambista nato, um vencedor, um imigrante que enfrentou dificuldades e construiu sua história com dignidade. Essa homenagem é para mostrar quem ele foi como pessoa, como pai e como apaixonado pelo samba”, finalizou Manoel.
Ordem dos defiles do Santos Carnaval 2026
Sexta-feira (6 de fevereiro)
- Brasil
- Império da Vila
- Bandeirantes do Saboó
- União Imperial
- Real Mocidade
- Vila Mathias
- Independência
Sábado (7 de fevereiro)
- Imperatriz Alvinegra
- Dragões do Castelo
- Unidos da Zona Noroeste
- Sangue Jovem
- Padre Paulo
- Amazonense
- X-9
- Unidos dos Morros
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