Setembro Amarelo: atenção à saúde mental dos idosos é essencial para prevenir o suicídio

Por Laeticia Bourgeois em 22/09/2025 às 11:00

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Com mais de 90 mil moradores com 60 anos ou mais, Santos, no litoral de São Paulo, é uma das cidades brasileiras com maior proporção de população idosa. Por isso, o Setembro Amarelo ganha um significado ainda mais urgente. Durante o mês de campanha nacional de prevenção ao suicídio, especialistas alertam para os riscos muitas vezes invisíveis enfrentados por idosos, como a solidão, o luto e o diagnóstico de doenças crônicas.  

Em muitos países, incluindo o Brasil, a taxa de óbitos por suicídio costuma subir com a idade. Isso acontece porque fatores típicos da velhice, como doenças crônicas, perdas afetivas e isolamento tornam os idosos mais vulneráveis emocionalmente. Além disso, diferente de outros grupos etários, as tentativas de suicídio entre idosos têm maior letalidade, o que torna a prevenção ainda mais necessária. 

“Alguns estudos epidemiológicos brasileiros e de análises regionais mostram tendência de aumento em alguns períodos e estabilidade em outros. A tendência geral no país tem mostrado um aumento moderado da mortalidade por suicídio na última década”, revela a psicóloga Larissa Delucinhore Ricciotti. 

Objetivos da campanha

Os principais objetivos da campanha do Setembro Amarelo, voltados para o público idoso, são: aumentar a identificação precoce dos sinais, reduzir o estigma relacionado a pedir ajuda, orientar sobre serviços locais – como o Caps, a Atenção Primária e o CVV -, fortalecer a conscientização nas redes sociais e promover intervenções que tratem de questões como depressão, dor crônica e isolamento.

“Em algumas campanhas, há também um foco na capacitação de equipes de saúde e materiais adaptados para família e para cuidadores, o que ajuda muito”, completa a profissional. 

Fatores de risco e estigma

“Alguns dos principais fatores de risco nesta idade são transtornos depressivos e psiquiátricos, doenças físicas e crônicas – que acarretam em dor persistente – isolamento, solidão, perdas recentes (de companheiros, amigos e até mesmo perda de autonomia), déficits funcionais, problemas socioeconômicos e história prévia de tentativa. Fatores cognitivos, como a demência, também podem contribuir para o desenvolvimento de pensamentos suicidas”, alerta a terapeuta. 

O assunto ainda carrega um estigma e um tabu muito forte nesta faixa etária, como conta a psicóloga Larissa: “Sim, ainda existe um tabu para falar sobre isso. Pesquisas e guias clínicos mostram que sintomas depressivos e pensamentos suicidas em idosos são frequentemente minimizados, interpretados como ‘coisa da idade’ e muitas vezes escondidos por medo da institucionalização e do estigma. Isso reduz a busca por tratamento e atrasa o diagnóstico. Por isso, a comunicação e o acolhimento familiar e profissional são fundamentais”.

Como identificar os sinais?

A atenção à identificação dos sinais de depressão ou ideação suicida em idosos é de máxima importância. Os principais sinais práticos que profissionais e família podem observar são: a diminuição marcante em atividades que a pessoa gostava e sentia prazer, o humor persistentemente triste, queixas somáticas sem causa clínica muito clara, a perda de peso e apetite, insônia ou até mesmo a hipersonia, fadiga, falas sobre ‘ser um peso’ ou não querer mais viver, retraimento social e mudanças o auto cuidado. 

“Especificamente em idosos, queixas físicas e cognitivas podem mascarar bastante a depressão”, completa Larissa.

O papel da família e das redes de apoio

A família e redes de apoio – que podem ser vizinhos, grupos religiosos e grupos de saúde – são uma das intervenções de maior impacto, pois elas reduzem o isolamento, monitoram sinais precoces, facilitam o acesso a tratamento e até ajudam a remover meios letais quando necessário.

“Possuem um papel fundamental no apoio prático, para transporte, acompanhamento de consultas e são também um grande apoio emocional. Tudo isso aumenta a chance de adesão ao tratamento”, afirma a especialista.

Avanços na prevenção ao suicídio em Santos

Há avanços importantes, especialmente nas áreas de conscientização e capacitação local. A Prefeitura, o Caps, hospitais e organizações como o CVV têm promovido ações relevantes durante o Setembro Amarelo. Além disso, há uma maior disponibilidade de materiais de triagem e protocolos clínicos. Esses esforços aumentam a identificação e o acolhimento dos casos. 

Entretanto, a evidência sobre redução consistente e imediata da mortalidade por suicídio ligada apenas a campanhas é mista. “A redução sustentável depende da continuidade de políticas, recursos e integração entre saúde mental e atenção básica, ou seja, há progresso em serviços e visibilidade inclusive em Santos – com a programação pública com ações de Caps e Santa Casa – mas a queda real nas taxas exige políticas contínuas e monitoramento, sem dúvidas”, conclui Larissa. 

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