Servidores rejeitam contraproposta da Prefeitura de Santos e anunciam ato no Paço
Por Santa Portal em 30/01/2026 às 20:00
Os servidores públicos municipais de Santos, no litoral de São Paulo, rejeitaram a contraproposta salarial apresentada pela Prefeitura. A decisão foi tomada em assembleias conduzidas pelo Sindicato dos Servidores Estatutários Municipais de Santos (Sindest) e pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv), que consideraram insuficientes os percentuais oferecidos e apontaram a falta de respostas para mais de 40 itens da pauta de reivindicações da categoria.
Entre os principais pontos de insatisfação estão o valor da cesta básica fixado em R$ 580, a manutenção de distorções que afetam aposentados e servidores com dois registros, especialmente no acesso ao auxílio-alimentação e o reajuste salarial de 6,5%, considerado abaixo das necessidades reais dos servidores.
As assembleias ocorreram na quarta-feira (29) e deliberaram pela continuidade das negociações com o governo municipal. Além disso, o Sindserv aprovou a realização de um ato público na próxima segunda (2), a partir das 17h, no Paço Municipal, como forma de pressionar por avanços concretos na pauta.
Segundo o Sindserv, a rejeição da contraproposta reflete a percepção de que o governo ignorou pontos centrais das reivindicações.
Reivindicações
No eixo salarial, os servidores reivindicam reajuste de 13,9%, composto pela reposição da inflação acumulada (4,46%), compensação pelo aumento da contribuição ao Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais de Santos (2%) e recuperação de perdas históricas (7,44%). A Prefeitura, no entanto, apresentou apenas o percentual de 6,5%.
Em relação ao auxílio-alimentação, a categoria pede o valor de R$ 1.320 mensais, além da extensão do benefício para o segundo registro de servidores que acumulam cargos. A contraproposta do governo prevê reajuste de 13,63%, elevando o valor para R$ 1.100, sem previsão de ampliação para o segundo vínculo.
Já a cesta básica foi outro ponto sensível. O sindicato defende o valor de R$ 841,23, com base na média nacional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), além da extensão para todos os níveis salariais, ativos, inativos e servidores do Iprev. A Prefeitura propôs reajuste de 10,53%, passando o benefício de R$ 524,70 para R$ 580, valor considerado muito aquém do custo real de alimentação.
Além das questões salariais, os sindicatos criticam a ausência de respostas do governo em temas estruturais, como concursos públicos, progressão funcional e quinquênio, previdência, Capep, adicional de titularidade e terceirizações. De acordo com as entidades, a falta de posicionamento reforça o distanciamento entre a gestão e as demandas históricas do funcionalismo.
A proposta
Em nota, a Prefeitura de Santos informou que apresentou a proposta de reajuste em reunião realizada na terça-feira (28), com representantes do Sindest e do Sindserv. Segundo a Administração, os percentuais oferecidos superam a inflação projetada de 4,5% para o período entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, garantindo ganho real aos servidores.
De acordo com o governo municipal, o reajuste de 6,5% nos vencimentos representaria cerca de 2,5% de aumento real, enquanto a cesta básica teria ganho real de aproximadamente 6% e o auxílio-alimentação, cerca de 9%.
O secretário de Finanças, Adriano Luiz Leocadio, afirmou que a proposta reflete o compromisso da gestão com a valorização dos servidores. “Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, buscamos assegurar aumento real, promovendo justiça salarial com responsabilidade fiscal”, declarou.
A Prefeitura também destacou que, entre março de 2020 e fevereiro de 2025, a inflação acumulada medida pelo IPCA foi de 29,56%, enquanto os servidores receberam reajustes de 36,06% nos vencimentos, 61,78% na cesta básica e 82,36% no auxílio-alimentação.