Homem que matou morador em situação de rua em Santos alega legítima defesa e diz que "fechou os olhos e disparou"; VÍDEO
Por Santa Portal em 23/06/2026 às 20:00
O homem suspeito de matar um morador em situação de rua com disparo de arma de fogo, na manhã desta terça-feira (23), no bairro Vila Nova, em Santos, apresentou-se espontaneamente à Polícia Civil horas após o crime e alegou ter agido em legítima defesa. A vítima foi identificada como Marcelo dos Santos Moura, de 42 anos.
Em depoimento preliminar, ao lado do advogado, o autor dos disparo afirmou que já havia sido ameaçado anteriormente e que, nesta terça-feira, o homem estava retirando ferramentas e maquinários de dentro de sua Fiat Fiorino estacionada na Rua Sete de Setembro.
Segundo a versão apresentada à polícia, ao tentar impedir o furto, houve uma reação da vítima. “Ele relatou que viu esse rapaz arrombando o veículo e retirando alguns pertences. Quando foi interpelado para parar a subtração, a vítima teria feito menção de avançar contra ele. Nesse momento, segundo suas palavras, ele fechou os olhos e efetuou o disparo”, afirmou o delegado da Delegacia de Homicídios de Santos, Thiago Bonametti.
Um vídeo obtido pelo Santa Portal mostra que, após ser atingido, Marcelo ainda tentou correr, mas caiu poucos metros adiante. O suspeito deixou o local logo em seguida. A Polícia Civil informou que imagens de câmeras de segurança estão sendo analisadas para esclarecer a dinâmica dos fatos e verificar se a versão apresentada é compatível com as evidências coletadas.
A vítima foi encontrada caída na via pública com ferimentos provocados por disparo de arma de fogo. O óbito foi constatado por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Durante as diligências iniciais, moradores da região relataram aos investigadores que Marcelo era conhecido no bairro e possuía histórico de furtos, roubos, ameaças e invasões de imóveis. O delegado ressaltou, porém, que todas as circunstâncias do caso ainda serão apuradas.
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Arma foi apreendida
O homem entregou aos policiais um revólver calibre 38, apontado como a arma utilizada no crime. O armamento foi apreendido e será submetido à perícia.
Segundo Bonametti, o revólver apresentava apenas uma munição deflagrada, compatível com a informação de que apenas um disparo teria sido efetuado em legítima defesa.
“Nós ainda vamos verificar a procedência da arma, se ela possui registro e como foi adquirida. Dependendo do resultado das investigações, pode haver responsabilização também por eventual posse ou porte irregular”, explicou.
Embora tenha admitido ser o autor do disparo, o homem não foi preso. De acordo com a Polícia Civil, ele se apresentou espontaneamente, colaborou com a investigação e não havia situação de flagrante delito.
“A princípio, ele está trazendo uma versão verossímil dos fatos. Demonstrou boa-fé ao comparecer à delegacia e indicar onde estava o armamento. Mas ainda precisamos entender exatamente o que aconteceu para verificar se houve legítima defesa, excesso ou a prática de homicídio”, afirmou Bonametti.
O delegado destacou que testemunhas já foram intimadas para prestar depoimento e que os laudos periciais serão fundamentais para a conclusão do inquérito.
Crime ocorreu próximo a escola
O homicídio aconteceu por volta das 7h, em uma área próxima a uma escola, horário de entrada de estudantes. Questionado sobre os riscos da ação em uma região com circulação de crianças e pedestres, o delegado classificou a ocorrência como grave.
“É uma conduta grave. Houve um disparo que resultou na morte de uma pessoa em via pública. Precisamos avaliar se houve algum excesso e se outras pessoas foram colocadas em risco”, disse. Segundo a polícia, não há indícios de que o projétil tenha atravessado a vítima ou atingido terceiros.
As investigações seguem sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Santos. Após a conclusão dos laudos e dos depoimentos, o inquérito será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário para análise das responsabilidades criminais do caso.