Fevereiro Roxo alerta para diagnóstico e desafios da fibromialgia

Por Beatriz Pires em 27/02/2026 às 06:00

Reprodução/ Freepik
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Fevereiro Roxo chama a atenção para a conscientização sobre o diagnóstico da fibromialgia como dor crônica. A doença é descrita como uma síndrome de sensibilização central, em que estímulos comuns do sistema nervoso são interpretados pela pessoa como sensação dolorosa, transmitida pelo cérebro e pela medula espinhal.

Médica pós-graduada em medicina da dor e neurologia, Elise Silveira explica que a fibromialgia é um tipo de doença invisível aos olhos e só pode ser diagnosticada a partir de acompanhamento clínico. Exames apenas eliminam a possibilidade de outras doenças, como hipotireoidismo ou lúpus.

Além da dor aguda, outros sintomas incluem cansaço incessante, sono não reparador, problemas de memória e concentração e alterações de humor, incluindo ansiedade e sintomas depressivos frequentes. Eliane Vasconcelos começou a sentir os primeiros sintomas aos 12 anos, mas apenas quatro anos depois foi diagnosticada.

“Tenho limitações, que nem andar e deitar, tudo eu tenho posição. Muito barulho também incomoda, tem hora que a cabeça fica cheia, eu não consigo parar”, contou ela.

Eliane afirma que as dores tendem a ser a pior parte da rotina e, mesmo com o tratamento recente, as crises ainda persistem, em sua maioria desencadeadas por situações de estresse emocional. A necessidade de se manter estável durante a semana e não demonstrar o que está sentindo, além de realizar atividades cotidianas como digitar ou subir no ônibus, é um desafio.

Elise explica que mulheres de 30 a 50 anos representam o principal perfil diagnosticado, mas qualquer pessoa pode desenvolver fibromialgia, que pode ser desencadeada por fatores genéticos, traumas físicos ou episódios de estresse prolongado. A médica afirma que o tratamento deve ser feito em três frentes. Nenhuma delas se apresenta como cura, mas sim como cuidado. Medicamentos para dor e antidepressivos ajudam a regular os neurotransmissores, aliados à psicoterapia.

“Dores musculares comuns geralmente são localizadas, têm uma causa óbvia e cedem com repouso. A dor da fibromialgia é difusa, persistente, o que não ocorre em uma simples dor muscular de academia ou tensão do dia a dia”, explica a neurologista.

A médica ainda destaca que alguns hábitos simples, como manter rotina de sono e uma boa alimentação, longe de ultraprocessados, podem ajudar. Eliane afirma que, devido ao maior acesso à informação, o preconceito não é um dos maiores problemas hoje, mas situações de descaso ainda acontecem.

A Secretaria de Saúde de Santos oferece uma equipe multidisciplinar da Seção de Recuperação e Fisioterapia (Serfis), formada por psicólogos, fisioterapeutas, reumatologistas, psiquiatras, nutricionistas e educadores físicos, responsável por proporcionar ao paciente mecanismos para lidar com a fibromialgia.

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