Abandono de animais em Santos bate recorde dos últimos cinco anos neste verão

Por Anna Clara Morais em 25/01/2026 às 06:00

Foto: Divulgação
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O Instituto Eliseu, em Santos, registrou na virada de 2025 para 2026 o maior índice de abandono de animais dos últimos cinco anos. O recorde negativo coincide com o período de festas e férias de verão, quando a celebração dá lugar ao descaso.

“Foi o pior ano dos últimos cinco. Aumentou muito a falta de vergonha, de mentir descaradamente, de dizer que achou na rua, mas isso não é uma prerrogativa do Instituto Eliseu, isso acontece com todas as ONGs”, desabafa Leila Abreu, presidente do Instituto. 

De acordo com Leila, o principal motivo para esse crescimento são as viagens que as pessoas costumam fazer na temporada. 

“As pessoas se programam para passar Natal e Ano Novo em outros lugares e, independente, da classe social, abandonam […] ou no fundo dos quintais, deixam sem água, sem comida, ou apenas do lado de fora da casa ou até deixam na porta das ONGs dizendo que acabaram de encontrar o cachorro”, explica.

No entanto, ainda segundo a presidente, o maior motivo é a falta de leis que punam, verdadeiramente, os infratores. 

“O motivo é a falta de punição e a de critério ao doar um animal, na primeira dificuldade, as pessoas se desfazem do pet. Precisamos parar de romantizar e pensar que os maiores maus tratos estão nos fundos dos quintais, são animais domiciliados e nem sempre de gente carente, mas normalmente de gente de classe média”.

O que diz a lei sobre abandono de animais

O advogado civilista Kevin de Sousa explica que, no Brasil, o abandono de animais é visto como uma conduta juridicamente relevante e ilícita. 

“A Justiça enquadra o abandono como maus-tratos, porque expõe o animal à fome, sede, doenças, atropelamentos e ao sofrimento físico e psicológico. Quando alguém abandona um pet, o que o Judiciário analisa é a violação do dever de cuidado que todo tutor assume ao adotar ou adquirir um animal”.

Caso seja caracterizado como abandono, a lei prevê pena multa e detenção. 

“Quando se trata de cães e gatos, a legislação foi endurecida nos últimos anos. Pode chegar até a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição de manter animais no futuro. Não é uma infração leve, mas um crime com consequências reais”.

Fiscalização depende de denúncias

Sobre a fiscalização, o especialista esclarece que depende denúncias feitas pela própria população à Polícia Militar, Civil, às delegacias especializadas em meio ambiente, à guarda municipal ou aos órgãos ambientais do município

“As autoridades só conseguem agir quando o fato chega ao conhecimento. Hoje, vídeos, fotos, registros de câmeras e relatos de testemunhas têm um peso enorme na apuração. Muitas investigações começam exatamente com uma gravação feita por um vizinho ou por alguém que presenciou o abandono. É um exemplo claro de como a participação do cidadão é essencial para que a lei funcione”.



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