Queiroz sai das sombras e articula candidatura a deputado federal

Por ITALO NOGUEIRA E CATIA SEABRA/FOLHAPRESS em 15/03/2022 às 06:30

Tércio Teixeira/Folhapress
Tércio Teixeira/Folhapress

Fabrício Queiroz está em passeatas de policiais militares reformados. Reúne-se com líderes de uma comunidade em que vivem agentes aposentados. Encontra-se com políticos e tem até tempo para zombar em bares de derrotas recentes do Flamengo em decisões.


A pergunta “cadê o Queiroz?’, feita pela oposição e pela imprensa por um ano e meio, é há um ano respondida pelo próprio em suas redes sociais. Não é mais difícil saber por onde ele anda e onde quer estar no ano que vem: exercendo um mandato na Câmara dos Deputados.


O pivô do escândalo das “rachadinhas” que atingiu a família do presidente Jair Bolsonaro negocia com quatro partidos sua candidatura neste ano. O objetivo é tentar uma cadeira de deputado federal, embora uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi assessor de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por 12 anos, não seja descartada.


As andanças políticas de Queiroz, que incluem viagens a Brasília e São Paulo, contam com o aval do clã presidencial. Ele se encontrou com Flávio na capital federal para ouvir do ex-chefe se sua candidatura não seria mal vista pela família.


“Falei para ele: ‘Vai à luta, você é ficha limpa’. É uma pessoa que tem bons contatos no Rio de Janeiro, tem uma história bacana na Polícia Militar. E agora ainda tem uma exposição gigante. O Queiroz ficou famoso, né?”, disse o senador em entrevista ao jornal O Globo.

Amigo de Bolsonaro desde 1984, Queiroz foi apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como o operador financeiro da “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa. A investigação foi iniciada após um relatório do Coaf descrever uma movimentação considerada suspeita de R$ 1,2 milhão em 2016 na conta de Queiroz. Ele chegou a ficar preso por um mês em regime fechado e outros oito em domiciliar sob suspeita de interferir nas investigações.


O senador, o ex-assessor e mais 15 pessoas foram denunciados sob acusação de desviar R$ 6 milhões dos salários de funcionários do gabinete para benefício de Flávio. As provas, contudo, foram anuladas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e o caso voltou à estaca zero.

Queiroz manteve discrição mesmo após as primeiras vitórias na Justiça. Até abril do ano passado, suas redes sociais nada exibiam de sua vida no período da investigação. Foi neste mês que ele viu a filha ser exonerada dois dias após ser nomeada num cargo no governador estadual, comandado por Cláudio Castro (PL), aliado dos Bolsonaro.

A demissão gerou revolta em Queiroz. Desde então, o ex-assessor passou a ser mais ativo nas redes e começou a avaliar se candidatar e comandar o próprio gabinete.

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