Paralisação de trabalhadores da limpeza urbana afeta coleta de lixo na Baixada Santista
Por Santa Portal em 16/03/2026 às 20:00
A paralisação de trabalhadores da limpeza urbana afetou os serviços de coleta de lixo em cidades da Baixada Santista nesta segunda-feira (16). O movimento envolve funcionários de empresas responsáveis pela limpeza pública em Bertioga, Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente, provocando impactos ao longo do dia em diferentes bairros.
Uma audiência de conciliação sobre a paralisação ocorre na noite desta segunda-feira (16), em São Paulo, no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, mas até o momento não havia definição sobre o desfecho do impasse.
A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes da Baixada Santista (Siemaco) Baixada Santista. A associação representa trabalhadores de empresas como Terracom Construções, Terra Santos Ambiental e o Consórcio PG Eco Ambiental, responsáveis por serviços de limpeza urbana em diversos municípios da região.
Segundo o sindicato, a paralisação ocorre em meio a questionamentos da categoria sobre os valores pagos no Programa de Participação nos Resultados (PPR) referente ao ano-base de 2025.
Em nota oficial, o presidente do sindicato, André Domingues, afirmou que a mobilização reflete a insatisfação dos trabalhadores com os critérios utilizados para calcular o benefício.
“O movimento não é arbitrário, mas resultado da insatisfação da categoria diante de questionamentos sobre os valores pagos no Programa de Participação nos Resultados. Os trabalhadores têm o direito de entender com clareza os critérios utilizados nesses cálculos e questionar valores que impactam diretamente sua remuneração”, afirmou o dirigente.
O sindicato afirma ainda que tentou dialogar com as empresas antes da mobilização, realizando reuniões e apresentando questionamentos sobre os valores pagos.
Empresas dizem ter cumprido acordo e recorrem à Justiça
A Terracom Construções, o Consórcio PG Eco Ambiental e a Terra Santos Ambiental informaram que ingressaram com medida judicial no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região para contestar a paralisação anunciada pelo sindicato.
Segundo as empresas, o movimento seria “ilegítimo”, por não atender aos requisitos previstos na Lei de Greve nº 7.783/1989, como o prazo mínimo de comunicação prévia e a manutenção das atividades indispensáveis em serviços essenciais.
As companhias afirmam que a limpeza urbana é um serviço diretamente ligado à saúde pública e ao bem-estar coletivo, e que a interrupção pode causar prejuízos sanitários nas cidades.
De acordo com as empresas, o pagamento do Programa de Participação nos Resultados (PPR) questionado pelo sindicato foi realizado dentro do prazo, na última sexta-feira (13), em conformidade com os acordos coletivos de trabalho e com a Lei nº 10.101/2000.
As companhias também afirmam que o modelo de apuração dos resultados é utilizado desde 2014 e que os critérios foram novamente apresentados ao sindicato em reunião realizada no último dia 10 de março.
Diante da possibilidade de paralisação total da coleta, as empresas recorreram ao Judiciário para tentar garantir a continuidade dos serviços de limpeza urbana nos municípios da Baixada Santista.
Prefeituras acompanham situação
As prefeituras da região informaram que acompanham as negociações e destacaram que a coleta de lixo é considerada um serviço essencial.
A Prefeitura de Santos informou que monitora as tratativas entre o sindicato e a empresa responsável pela gestão do contrato, ressaltando que não há atrasos em pagamentos ou obrigações por parte do município.
Já a administração de Praia Grande afirmou que, até o momento, o percentual mínimo de funcionamento de 30% para serviços essenciais não estaria sendo respeitado. Para reduzir os impactos, equipes da Secretaria de Serviços Urbanos foram mobilizadas para realizar a coleta nas principais vias da cidade.
Em São Vicente, a prefeitura informou que cobra da empresa responsável pela coleta a normalização do serviço e orientou os moradores a manterem temporariamente o lixo doméstico em casa até a retomada da operação. A administração também pediu que a população informe, pelos canais oficiais, locais onde a coleta não esteja sendo realizada.
A Prefeitura de Cubatão aguarda que a situação seja resolvida o mais breve possível.
O Santa Portal procurou as demais administrações municipais da região, mas não teve retorno até o fechamento desta matéria.
Histórico de mobilização
A categoria já havia realizado paralisação na região em julho de 2025, quando trabalhadores das empresas responsáveis pela limpeza urbana nais seis cidades reivindicaram reajuste salarial e melhorias nos benefícios.
Na ocasião, o movimento foi encerrado após acordo firmado durante audiência no Tribunal Regional do Trabalho, que garantiu reajuste de 7% nos salários e benefícios da categoria.