MP-SP indicia mais quatro suspeitos de ligação com assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes
Por Santa Portal em 19/03/2026 às 20:00
O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), denunciou mais quatro pessoas por ligação com o assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, em setembro do ano passado, em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
Os novos indiciados pelo crime são: Fernando Alberto Ribeiro Teixeira (conhecido como Velhote ou MC), Manoel Alberto Ribeiro Teixeira (Manezinho ou Manoelzinho), Márcio Serapião de Oliveira e Robson Roque Silva de Sousa.
De acordo com o MP-SP, os quatro podem responder por homicídio qualificado, duas tentativas de homicídio, favorecimento pessoal e integrar organização criminosa armada. Essa é a segunda denúncia relacionada ao caso oferecida pelo Ministério Público, que em novembro de 2025 acusou formalmente outros oito envolvidos no crime.
Segundo a investigação da Polícia Civil, os denunciados planejaram e executaram o assassinato de Fontes, que atuou por mais de 40 anos na Polícia Civil e chefiou a corporação entre 219 e 2022. Ele era alvo de ordem de morte emitida pelo alto escalão da facção criminosa (PCC), em retaliação à sua atuação contra a organização.
O planejamento para o homicídio começou em março do ano passado, com a subtração de veículos, aquisição de armamentos e definição de imóveis para apoio logístico. No dia do crime, os executores emboscaram a vítima quando ela deixava a Prefeitura de Praia Grande, efetuando dezenas de disparos com fuzis. Após a execução, os criminosos atearam fogo em um dos veículos utilizados e se dispersaram.
As investigações apontaram que os denunciados utilizaram veículos furtados, imóveis de apoio na Baixada Santista e aplicativos de transporte para viabilizar a ação. Um dos envolvidos identificados morreu no curso das investigações ao resistir à prisão.
O assassinato
O ex-delegado-geral foi assassinado em emboscada no fim da tarde de 15 de setembro do ano passado. O carro do policial civil aposentado foi atingido por 29 tiros de fuzil no momento em que saía da prefeitura do balneário, onde trabalhava como secretário de Administração.
Imagens do ataque mostraram o momento em que ele tentou fugir e bateu em dois ônibus em uma avenida movimentada. Ao menos três homens encapuzados e com coletes à prova de balas desceram de um dos veículos usados no crime e o alvejaram. Ele morreu no local.
O carro utilizado no crime foi encontrado queimado pela polícia. Segundo a Prefeitura de Praia Grande, duas pessoas, um homem e uma mulher, ficaram feridas durante o ataque ao delegado. Eles estavam na rua e foram atingidos por tiros.
Ruy Ferraz Fontes ocupou o maior posto da Polícia Civil do estado, como delegado-geral, de janeiro de 2019 a abril de 2022, na gestão do governador João Doria. Nessa função, respondia diretamente ao governador e ao secretário da Segurança Pública.
Ele trabalhava ultimamente como secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, que lamentou a morte em nota. Também atuou como diretor do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital).