Justiça nega pedido de 'Japa do PCC' para retirar tornozeleira eletrônica
Por Folha Press em 19/01/2026 às 15:00
Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa do PCC (Primeiro Comando da Capital)”, teve o pedido para revogação da tornozeleira eletrônica negado pela Justiça de São Paulo.
A defesa argumentou que Karen usa o monitoramento há quase dois anos “desnecessariamente”. Em pedido protocolado no dia 6 de janeiro à Justiça, o advogado Telles Rodrigo Gonçalves chamou a medida de “punição, invasiva e tortura psicológica” no caso de sua cliente.
Ela foi presa sob a acusação de lavar dinheiro para integrantes da facção criminosa na Baixada Santista. Segundo a Polícia Civil, ela foi flagrada com uma mala contendo R$ 1 milhão e US$ 50 mil (R$ 248.184,95, na cotação atual) em seu apartamento no Tatuapé, na capital paulista, durante a Operação Escudo.
O advogado diz que Karen está restrita de liberdade sem que tenha sido denunciada formalmente. “A investigação se arrasta há longo período sem conclusão efetiva, sem oferecimento de denúncia e sem demonstração concreta de risco”, escreveu o advogado no pedido. Ele acrescenta ainda que a demora seria devido à “inércia estatal” em conseguir analisar todos os casos.
A defesa acrescentou ainda que a investigada nunca descumpriu nenhuma determinação até aqui. Por isso, Gonçalves argumenta que ela demonstrou “boa-fé” e ausência de risco de fuga, sem que haja nenhum comportamento que justifique a cautela.
A Justiça, no entanto, negou o pedido na última segunda-feira (12). Em decisão obtida pela reportagem, o juiz Tiago Ducatti Lino Machado afirma que o monitoramento está “devidamente fundamentando”, considerando o tempo de custódia cautelar, a natureza dos crimes investigados e os elementos dos autos.
“A monitoração eletrônica, aliada ao recolhimento domiciliar noturno, mostra-se proporcional e adequada ao atual estágio da investigação”, declarou Lino Machado.
A reportagem entrou em contato com o Ministério Público para comentar a decisão. Não houve retorno até o momento, mas o espaço segue aberto para manifestação.
Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, o “Cabelo Duro”, um dos principais líderes do PCC na região, assassinado em 2018. A investigação aponta que, após a morte de Wagner, Karen e seus familiares movimentaram mais de R$ 35 milhões. A evolução patrimonial chamou a atenção do Ministério Público. Para os promotores, eles são “laranjas” do PCC.
“Há informações de que a indiciada continua atuando e tem grande prestígio junto ao PCC, administrando os bens ocultados das autoridades com a ajuda de outros indivíduos que nela tem confiança para as operações”, proclamou o Tribunal de Justiça de São Paulo à época.