Justiça adia júri de Marcelly Peretto e define novas regras para julgamento em Praia Grande
Por Santa Portal em 17/04/2026 às 05:00
O júri popular de Marcelly Peretto, acusada de envolvimento na morte do irmão, o comerciante Igor Peretto, foi adiado pela Justiça de São Paulo. Inicialmente previsto para agosto, o julgamento agora está marcado para o dia 26 de novembro, às 9h, no Fórum de Praia Grande.
A nova data foi definida após decisão que também analisou uma série de pedidos apresentados pelo Ministério Público e pela defesa, estabelecendo quais provas poderão ser utilizadas durante a sessão plenária.
Igor Peretto foi morto a facadas dentro de um apartamento no Canto do Forte, em Praia Grande, na madrugada de 31 de agosto de 2024. Mário Vitorino, cunhado da vítima e acusado de ter desferido as facadas, também irá a júri popular, ainda sem data definida. A viúva de Igor, Rafaela Costa, teve a prisão preventiva revogada e foi solta em outubro do ano passado.
Entre as deliberações, o juiz autorizou a exibição da faca supostamente utilizada no crime diante dos jurados. Por outro lado, negou o uso do Google Maps em tempo real durante o julgamento, sob o entendimento de que a ferramenta poderia comprometer o direito de defesa, já que não permite conhecimento prévio do conteúdo a ser apresentado.
O magistrado também indeferiu a quebra de sigilo de dados telefônicos, apontando que a medida deveria ter sido solicitada durante a fase de instrução do processo. Além disso, ressaltou que informações sobre ligações e localização dos envolvidos já constam nos autos.
Outro ponto rejeitado foi a tentativa de incluir registros de atos infracionais da acusada quando ainda era menor de idade. Segundo a decisão, esses fatos não têm relação direta com o crime e não podem ser utilizados em prejuízo da ré.
Perícia e acesso a provas
A decisão ainda manteve o laudo pericial como foi produzido originalmente, sem retirada de tarjas nas imagens, para preservar a integridade técnica do documento. No entanto, foi autorizada a solicitação de cópias das fotos originais, sem edições, caso ainda existam nos arquivos da Polícia Civil.
Em relação às provas digitais, o juiz reforçou que o material completo não foi anexado aos autos devido ao grande volume e à presença de conteúdos irrelevantes para o caso. Os dados seguem armazenados sob custódia policial e podem ser acessados mediante solicitação.
Já quanto a vídeos e imagens relacionados a Pindamonhangaba, a Justiça determinou o fornecimento de um novo link à defesa, após alegação de dificuldade de acesso ao conteúdo anteriormente disponibilizado.
O juiz também validou as listas de testemunhas apresentadas pelas partes e determinou a atualização dos antecedentes da ré. Além disso, abriu vista ao Ministério Público para manifestação sobre um novo pedido de revogação da prisão preventiva de Marcelly.
Relembre o caso
Acionados para atender a uma ocorrência de “desentendimento” no prédio de Igor Peretto, policiais militares chegaram ao local por volta das 7h30 e foram recepcionados pela síndica. De acordo com essa testemunha, foram ouvidos muito barulho e gritos vindos de um apartamento do quarto andar. Como ninguém atendeu a campainha do imóvel, os PMs recorreram a um chaveiro para abri-lo.
No corredor e em outras partes do apartamento havia diversas manchas de sangue. O corpo de Igor foi encontrado caído em um quarto, próximo à janela. O imóvel estava bastante revirado, indicando a ocorrência de luta corporal. Com 22 centímetros de lâmina, uma faca foi encontrada no banheiro suja de sangue, sendo apreendida para ser submetida a perícia.
Mário Vitorino foi localizado e preso na manhã de 15 de setembro, em Torrinha, no interior de São Paulo, a 352km de onde ocorreu o crime. Mário estava foragido desde o dia 31 de agosto, quando ocorreu o crime.
O cunhado foi localizado por Tiago Peretto, irmão de Igor, após familiares receberem uma denúncia. Tiago, que é vereador em São Vicente, foi até Torrinha e localizou o foragido.
O juiz manteve três qualificadoras ao pronunciar Marcelly e Mário a júri popular: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ambos responderão por homicídio triplamente qualificado.