Baixada Santista reforça ações contra chuvas intensas previstas para março

Por Beatriz Pires em 03/03/2026 às 05:00

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O desassoreamento de canais e a realocação de moradores em áreas de risco estão no centro das iniciativas municipais na Baixada Santista para prevenir desastres durante as chuvas de março. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o mês deve registrar precipitações acima da média em todo o estado de São Paulo, com temperaturas até 1°C superiores à média histórica.

Por que chove tanto em março?

A meteorologista Heloisa Pereira explica que o pico de chuvas no primeiro trimestre está associado ao Sistema de Monções da América do Sul, padrão climático comum no verão. O aquecimento da superfície favorece a formação de nuvens, levando a umidade do litoral para o interior.

“Em março, temos potencial para a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que intensifica o corredor de umidade vindo da Amazônia em direção ao Sudeste, resultando em acumulados elevados”, afirma a especialista.

A geografia litorânea e a influência das marés tornam a região vulnerável. Heloísa alerta que o solo já apresenta alto índice de encharcamento, o que eleva drasticamente o risco de deslizamentos.

Em janeiro, as chuvas ficaram abaixo da média habitual. A geografia litorânea, combinada à influência das marés, ao fluxo constante de umidade do oceano e às ocupações em áreas suscetíveis, ajuda a explicar porque a Baixada Santista é tão vulnerável a alagamentos. Heloísa acrescenta ainda que o solo geralmente apresenta encharcamento, o que aumenta o risco de deslizamentos.

Monitoramento e tecnologia nas cidades

Para mitigar os impactos, as prefeituras investem em tecnologia:

  • Santos: a Defesa Civil monitora constantemente os 17 morros da cidade e opera com alertas via SMS até abril.
  • Bertioga: utiliza estações telemétricas para acompanhar o nível dos rios em tempo real e pluviômetros automáticos.
  • Guarujá: a cidade opera em alerta máximo, com sirene no Morro da Barreira do João Guarda e prontidão para acolhimento imediato de famílias em ginásios-abrigo.

Obras estruturais e desassoreamento

Em São Vicente, o destaque é a instalação de oito conjuntos de comportas e a participação no programa estadual “Rios Vivos”. A cidade projeta um plano de drenagem de R$ 1 bilhão para captar recursos federais.

Mongaguá, que teve situação de emergência reconhecida em fevereiro, foca na limpeza dos rios Bichoró e Aguapeú, além da licitação de uma máquina anfíbia para desobstrução de canais de difícil acesso. Já Praia Grande mantém a limpeza diária de canais e constrói novos sistemas de escoamento no Bairro Princesa para acelerar o escoamento.

Habitação

A solução definitiva, porém, passa pela habitação. Cubatão lidera o movimento de remoção de famílias de áreas críticas, com a meta de extinguir ocupações irregulares em morros. Recentemente, 150 famílias do Morro da Mantiqueira foram transferidas para novos apartamentos, e o planejamento segue para as áreas de Pilões e Vila Noel.

Sinais de alerta

A orientação das autoridades é de vigilância extrema. Fique atento aos seguintes sinais de perigo em seu imóvel ou terreno:

  1. Rachaduras novas em paredes ou pisos;
  2. Postes, cercas ou árvores inclinadas;
  3. Portas e janelas que começam a emperrar repentinamente;
  4. Água barrenta escorrendo pelo morro.

Em caso de emergência, acione imediatamente a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

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