Ainda sem respostas, familiares se despedem de crianças encontradas mortas em Praia Grande

Por João Pedro Feza/Folhapress em 25/03/2026 às 10:00

Santa Cecília TV
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Os dois primos encontrados mortos em um carro abandonado em Praia Grande, no litoral de São Paulo, foram velados na tarde desta terça-feira (24) sob clima de inconformismo e desolação de parentes e amigos.

O adeus a Henry Miguel Coelho Santana, 4, e Pedro Henrique Araujo Santana, 6, na Baixada Santista, ocorreu em uma funerária vizinha ao Cemitério Morada da Grande Planície, na Vila Antartica, onde o enterro foi marcado para as 16h. Balões brancos foram colocados em frente à funerária.

“Ele está com a cabeça toda inchada, todo roxo. Nós só queremos a verdade, somente a verdade. Ninguém pode omitir nada”, disse à reportagem o pai de Henry, cantor Wildisley Santana, 35.

“Eram apenas crianças felizes que estavam brincando na frente da nossa casa”, lamentou mais cedo a mãe do menino, Ingrid Coelho Faria, 23. “Muita gente ajudou a procurar por eles. De moto, de carro, a pé, de todo jeito.”

Amigos ressaltam que o abatimento é geral e a angústia é grande por falta de respostas. Eles preparam camisetas com os estampa das crianças como forma de homenagem.

Segundo a Polícia Militar, os corpos foram encontrados por um adolescente de 14 anos que saiu gritando e avisou outros moradores que estavam empenhados na busca pela região da Vila Sônia e a vizinha Vila Antartica, onde as vítimas moravam.

Acionada, a corporação enviou equipe para os primeiros atendimentos. De acordo com boletim de ocorrência, uma enxada com mancha vermelha no cabo de madeira chegou a ser recolhida nas proximidades do terreno onde o veículo foi localizado, mas a perícia, ainda no local, descartou se tratar de sangue.

O atual dono do carro, Deivison Ferreira da Silva, 42, contou à PM que comprou o veículo no ano passado e ainda estava acertando documentação para colocá-lo em circulação.

Por enquanto, o veículo ficava parado num terreno ao lado de sua casa. Segundo a reportagem apurou nesta segunda, há duas linhas de investigação: a de homicídio, primeira a ser registrada pela Polícia Civil, e a de asfixia e desidratação – com a possibilidade de as crianças terem entrado no carro e lá ficado presas e sem ar.

Por email, a SSP (Secretaria de Segurança Pública) afirma apenas que as investigações continuam. Em nota na manhã desta terça, a SSP reiterou que a ocorrência foi registrada como homicídio e que a Polícia Civil “segue com as diligências em buscas de subsídios que auxiliem na identificação de eventuais responsáveis, bem como no devido esclarecimento dos fatos”.

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