Prisão de iranianos com 181 quilos de cocaína põe no radar rota Santos-Dubai

Por Eduardo Velozo Fuccia/Vade News em 15/05/2026 às 10:00

Divulgação/Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil

A prisão de dois iranianos no depósito de uma empresa em Santos (SP), onde havia 181 quilos de cocaína escondidos em uma carga de café, trouxe à tona indícios de uma rota do narcotráfico internacional bem diferente daquelas mais utilizadas pelas organizações criminosas, que têm como destinos países europeus. A suspeita é a de que a droga apreendida seria despachada para Dubai, nos Emirados Árabes.

Em razão desses indícios, ao receber o auto de prisão em flagrante dos estrangeiros, o juiz Vinicius de Toledo Piza Peluso, da Vara Regional das Garantias da 7ª Região Administrativa Judiciária (Santos), ordenou a remessa do feito com urgência à Justiça Federal, que tem a competência para processar e julgar o tráfico transnacional, bem como eventuais delitos conexos, como organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Peluso expôs em sua determinação que, “segundo consta, em investigação sobre indivíduo que manteria relações com integrantes de organização criminosa atuante entre o Brasil e o Oriente Médio, chegou a informação de que seriam finalizados os trâmites para o embarque de aproximadamente 150 kg de cocaína com destino a Dubai”.

Principal corredor de exportação de cocaína do País, o Porto de Santos lidera o ranking nacional das apreensões realizadas em instalações portuárias, sendo inestimável a quantidade da droga que não é detectada e segue de navio aos destinos. Segundo balanço da Receita Federal em Santos, apenas esse órgão evitou que chegassem ao exterior 7.143, 5.260 e 7.378 quilos do entorpecente, respectivamente, nos anos de 2023, 2024 e 2025.

O Porto de Jebel Ali é o principal de Dubai, o maior do Oriente Médio e o maior artificial do mundo, sendo a mais importante porta de entrada de cargas naquela região. O interesse dos traficantes pela remessa de cocaína aos Emirados Árabes pode ser atribuído ao preço do quilo da droga lá praticado, que supera a cotação no mercado europeu.

Investigação

A empresa onde estava a cocaína fica na Rua Comendador Martins, na Vila Mathias. Um dos seus dois sócios-proprietários é o iraniano Saeid Sabouri, de 52 anos, que foi autuado. Há alguns meses, a equipe do delegado Sérgio Lemos Nassur, do 1º DP de Santos, investigava suposta relação do empresário com integrantes de uma organização criminosa voltada ao tráfico de drogas entre o Brasil e o Oriente Médio.

Diante da informação de que elevada quantidade de cocaína chegou à empresa, onde estariam sendo concluídos os preparativos para ela ser embarcada para Dubai, os investigadores decidiram vistoriar o local na tarde da última terça-feira (12). Para isso, eles monitoraram o imóvel com uma viatura descaracterizada e abordaram Saeid no momento em que ele abriu a porta metálica do depósito.

O investigado foi cientificado sobre o que era apurado, ocasião em que compareceu ao local Nima Kenareifard, de 25 anos, outro iraniano. Esse rapaz se identificou como “intérprete” do compatriota. Ao também saber sobre as suspeitas de haver drogas na empresa, ele alegou que, se fosse achado algo ilícito, não seria de seu conhecimento.

Nima afirmou que estava ali apenas para auxiliar Saeid no desembaraço documental das mercadorias destinadas a Dubai. Porém, questionados sobre eventual documentação dos produtos a serem exportados, os iranianos disseram não a possuir naquele momento, o que enfraqueceu a versão dos acusados, segundo avaliou o delegado.

Na sequência, os agentes vistoriaram o depósito e encontraram 178 tabletes de cocaína, que totalizaram 181 quilos, em sacas de café. Notificados sobre os seus direitos constitucionais, os estrangeiros dispensaram a assistência consular e optaram pelo silêncio ao serem interrogados no distrito policial. Eles manifestaram que apenas prestarão esclarecimentos em juízo, na presença de tradutor.

A empresa de Saeid em Santos foi aberta em maio de 2024 e tem como atividade principal o comércio varejista de produtos alimentícios em geral. Com outro homem, ele também é sócio de uma empresa em Porto Alegre (RS), que foi constituída em fevereiro de 2024 para a importação e exportação de alimentos e máquinas. As duas pessoas jurídicas estão ativas e devem entrar no radar das investigações do tráfico internacional.

*Texto por Eduardo Velozo Fuccia/Vade News

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