JBS Terminais monitora edital e admite interesse na disputa pelo Tecon 10, no Porto de Santos

Por Santa Portal em 13/01/2026 às 18:30

Divulgação
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A JBS Terminais, atual operadora do Porto de Itajaí (SC), está atenta às movimentações para o leilão do STS10 (Tecon 10), no Porto de Santos. O interesse foi confirmado pelo diretor-presidente da companhia, Aristides Russi Júnior, durante uma coletiva de imprensa realizada em uma visita técnica ao terminal catarinense, na tarde desta terça-feira (13). O evento contou com a participação de Natalie Nanini, diretora de jornalismo do Sistema Santa Cecília de Comunicação e apresentadora do programa Porto & Negócios.

Embora o executivo tenha adotado cautela ao condicionar a participação da empresa à análise minuciosa do edital, que ainda não foi publicado, ele deixou claro que a JBS Terminais está “ativa” na avaliação de oportunidades que tenham aderência ao negócio do grupo.

“Nós esperávamos que o edital já tivesse sido publicado para termos acesso à íntegra de todas as condições do leilão e fazer a nossa modelagem. Como ainda não saíram os papéis, já existem indicações, mas preferimos ter acesso ao material completo para tomar uma decisão”, explicou Russi Júnior. Ele reforçou, contudo, a postura de vigilância da empresa: “Estamos ativos, olhando o que está acontecendo e entendendo quais são as oportunidades”.

Capacidade operacional e o conceito de “mega terminal”

Questionado sobre a capacidade da JBS em gerir um ativo do porte do Tecon 10, projetado para ser o maior terminal de contêineres do cais santista, o diretor utilizou a rápida retomada das operações em Itajaí como cartão de visitas. Segundo ele, a gestão em Santa Catarina, que compete com outros Terminais de Uso Privado (TUPs), prova a expertise da companhia.

“Acho que estamos dando uma prova substancial do que podemos fazer. Retomamos a operação de um ativo importante em meio a uma competição acirrada. Isso prova que tivemos capacidade de ser um terminal com crescimento exponencial, já performando 93% do nosso compromisso e com 10 linhas de navegação”, pontuou.

Apesar da relevância do projeto em Santos, Russi Júnior fez uma ressalva técnica sobre a nomenclatura do futuro terminal. Para o executivo, embora o STS10 mude o patamar de competitividade do Brasil, ele ainda não se enquadra na categoria global de “mega terminais”, quando comparado aos portos asiáticos que movimentam 12 milhões de TEUs.

“O Tecon Santos 10 é um ativo relevante, vai ser o maior terminal (de Santos), mas ainda não é um mega terminal. O Brasil, entre as 15 maiores economias do mundo, carece dessa infraestrutura”, analisou, citando ainda dúvidas do mercado sobre a capacidade real de movimentação do projeto (estimada em 3,2 milhões de TEUs) e a inclusão da ferrovia, fatores que alteram “substancialmente o modelo de negócio”.

“Milagre” de Itajaí e o leilão catarinense

A visita técnica, acompanhada pela jornalista Natalie Nanini, serviu também para apresentar os números robustos da gestão da JBS em Itajaí. Após assumir o porto em um contrato transitório em um momento de inatividade, a empresa investiu cerca de R$ 150 milhões e gerou 600 empregos diretos, tornando-se a maior arrecadadora de ISS do município.

“A JBS devolveu a moral para o município de Itajaí após um longo período de inatividade do porto. O mais difícil já passou. Restabelecemos a confiança do mercado”, celebrou o diretor.

Sobre o futuro definitivo do Porto de Itajaí, que também deve ir a leilão ainda este ano, Russi Júnior confirmou que a JBS tem intenção de disputar a concessão de longo prazo (35 anos), mas prevê uma disputa globalizada.

“Não acredito que tenhamos vantagem competitiva apenas por estar aqui. Operadores portuários de classe mundial vão olhar para Itajaí. Temos interesse, queremos continuidade, mas precisamos aguardar as informações do leilão”, finalizou.

A companhia também destacou gargalos que precisam ser superados em Santa Catarina, como a dragagem do canal de acesso para receber navios de 366 metros e a melhoria na acessibilidade rodoviária, problemas que, segundo o executivo, impactam diretamente na eficiência logística buscada pelos clientes.

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