Polícia Civil prende dois e descobre plano do PCC para explodir ponte entre planalto e litoral

Por Eduardo Velozo Fuccia/Vade News em 05/12/2023 às 13:00

Arquivo/Polícia Civil
Arquivo/Polícia Civil

A descoberta de uma chácara na região do Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, que era utilizada como quartel-general do Primeiro Comando da Capital (PCC), trouxe à tona um plano da facção para explodir uma ponte que liga o planalto ao litoral paulista. Por enquanto, dois homens estão presos.

A exata localização da ponte ainda é ignorada e as investigações prosseguem para descobri-la. O plano de explosão foi revelado por um procurado da justiça. Integrante da organização criminosa, ele disse que seria incumbido de preparar e detonar o explosivo, mas antes fugiu da chácara por se desentender com os comparsas, que tentaram matá-lo.

Referindo-se a outro homem, o delegado Victor Hugo Borges, do 1º DP de São Bernardo do Campo, relatou: “O local da prisão do suspeito apenas foi descoberto em razão do forte indício de que criminosos se agrupavam com o intuito de explodir uma ponte que realiza a ligação entre a capital paulista e o litoral”.

Conforme a autoridade policial, “é crível acreditar que o ataque ao Estado tenha como razão a recente operação realizada no litoral paulista, que culminou na prisão de diversos criminosos e apreensão de grande quantidade de substâncias entorpecentes”. Borges destacou o “poderio bélico e planejamento estratégico” da organização criminosa.

A revelação

A chácara fica na Estrada Taquacetuba e foi descoberta no final da tarde de domingo (3). Segundo investigadores do 1º DP de São Bernardo do Campo, nessa data eles tomaram conhecimento de que, na véspera, durante audiência de custódia, o preso Lucas Lopes de Araújo revelou que um grupo se organizava em uma chácara na cidade para explodir a ponte.

Para o sucesso do plano, os criminosos já teriam providenciado o material necessário, além de armas, que estariam na propriedade rural. Lucas admitiu que integrava o grupo, mas alegou que houve um “desacerto” entre ele e os parceiros, motivando-o a fugir do sítio e a se entregar à polícia, pois é procurado da Justiça.

Com base nas declarações desse preso, foi iniciada uma varredura que possibilitou apurar a localização da chácara. Ela fica após a primeira balsa do Riacho Grande, sendo a área cercada com o apoio do Grupo de Operações Especiais (GOE) de São Bernardo do Campo. Na propriedade rural estava apenas Jaílson Pesqueiro de Souza, de 34 anos.

Indagado sobre algo ilícito no local, Jaílson disse que apenas havia uma pistola calibre 45. Porém, além dessa arma, os policiais encontraram um fuzil AK-47, dois cordéis detonantes, um pavio, diversas munições de vários calibres, cinco carregadores de fuzil, dois carregadores de pistola, duas lunetas, quatro celulares, um notebook, colete à prova de balas, roupas táticas, pen drive, câmera de segurança, chip, anotações e balança.

Entorpecentes

Um Fiat Mobi Drive branco, com emplacamento de Itapevi (SP), estava estacionado na área da chácara. Os investigadores perceberam algo estranho no painel frontal que sustenta o rádio e, ao retirá-lo, encontram em um fundo falso com 2,5 quilos de crack e 421 gramas de cocaína. Diante das apreensões, Jaílson nada mais quis declarar.

O homem que estava na chácara foi autuado em flagrante por tráfico de drogas, posse ilegal de arma de fogo de uso restrito e pelo delito de integrar organização criminosa. Segundo o delegado, por questões de segurança, o explosivo foi entregue à equipe do GOE para ser detonado de “modo controlado”. Quanto ao carro, “que serve como cofre”, foi apreendido e será periciado para ter a procedência apurada.

* Eduardo Velozo Fuccia / Vade News

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