Prefeitura de Santos já gastou R$ 4,8 milhões com a compra de testes rápidos da Covid-19Divulgação/Prefeitura de Santos

SANTOS - A Prefeitura de Santos já gastou R$ 4,8 milhões com os 60.500 testes rápidos comprados para detectar casos de coronavírus na Cidade. No entanto, a confiabilidade desse teste vem sendo questionada, após exames que foram feitos em funcionários da Administração Municipal e da Câmara de Vereadores terem apontado um alto índice de contágio da doença.

Somente no Legislativo, 140 testes deram positivo para a Covid-19, o que representa um índice de 42% dos funcionários da Câmara. Todos que tiveram resultados positivos para a doença estão passando pela contraprova através do exame molecular RT-PCR (coleta de secreção de nariz a garganta). Foi o caso do vereador Benedito Furtado (PSB), cujo resultado deu negativo no teste RT-PCR.  O resultado do vereador Sérgio Santana (PL) também deu negativo para a doença. Já o vereador Sadao Nakai (PSDB) submeteu-se a um novo exame, dessa vez sorológico, em que foi atestado que ele já teve contato com o coronavírus. A amostra de sangue colhida aponta que ele tem IGG Positivo, ou seja, já teve a doença, está curado e não está mais em estágio de transmissão.

De acordo com o secretário de Saúde de Santos, Fábio Ferraz, em números absolutos, 71 servidores dos 329 testados estariam com o vírus ainda ativo no corpo (apresentaram anticorpos IgM, fase aguda da doença). “Esse número representa 21,5% do total de pacientes. Outras 69 pessoas tiveram teste positivo para a presença do IgG, da fase de cura. Então o que vale é a informação dos 71 infectados”, explicou.

A utilização dos testes rápidos no Município faz parte das estratégias do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde para o enfrentamento da pandemia. Fábio Ferraz explica que no Município, duas marcas já foram utilizadas.

Em um primeiro momento, a Secretaria de Saúde utilizava um teste de outro fabricante. Atualmente, os exames realizados são do modelo Leccurate, da Lepu Medical TEchnology, que possui registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Embora o anterior tivesse diferenciação entre sorotipos, a marca atual permite distinguir se o vírus está ativo ou inativo nas amostras, o que entendemos ser algo positivo. Vamos agora acompanhar se realmente tiver um falso positivo muito significativo, para então buscar uma orientação para testes mais resolutivos”, disse Ferraz.

Por fim, Fábio Ferraz ressalta que os testes rápidos utilizados na rede municipal têm sido extremamente importantes para traçar um mapa epidemiológico da Cidade.

“O teste rápido é bom para política de massa, mas não tem a mesma assertividade do PCR. Por isso, continuamos orientando aos pacientes que procurem as unidades de saúde para a realização do exame”.

No entanto, o secretário de Saúde decidiu por suspender a realização de novos testes rápidos, antes de uma análise sobre a situação.

Apesar de serem validados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os testes rápidos estão sujeitos a apresentarem os resultados chamados de "falsos positivos".

Em Santos, 4.323 casos, dos 15.484 confirmados, foram diagnosticados através dos testes rápidos.