Porto de Santos: Associação diz que nitrato de amônio oferece poucos riscos de explosãoDivulgação/SPA

PORTO - A Associação Nacional para Difusão do Adubo (ANDA) falou sobre o potencial destrutivo das substâncias que são transportadas e armazenadas diariamente no Porto de Santos, especialmente o Nitrato de Amônio. Para a entidade, o produto oferece pouco risco em condições normais. A preocupação de especialistas portuários é de que aconteça no cais santista um acidente semelhante com a explosão que matou mais de 137 pessoas e deixou mais de 5 mil feridos. Dezenas de pessoas ainda seguem desaparecidas.

Segundo a ANDA, o composto é um produto químico de fundamental importância para o desenvolvimento da qualidade de vida das pessoas, com aplicação na agricultura como fertilizante, matéria-prima para fabricação de gases anestésicos, tratamento de esgotos e produção de explosivos civis.

Por ser um fertilizante de alto teor de nitrogênio – nutriente vital para as plantas –, é utilizado em larga escala para melhoria da produtividade dos solos agrícolas brasileiros. Devido a suas propriedades químicas, requer cuidados especiais em sua armazenagem, manuseio, transporte e aplicação.

De acordo com a associação, todos os fertilizantes à base de nitrato de amônio são, em condições normais, substâncias estáveis que por si próprias não apresentam risco e não são inflamáveis.

A ANDA diz que cabe ressaltar que eles podem se decompor apenas se expostos a condições inadequadas de calor, contaminação ou confinamento e, caso tal decomposição ocorra e não seja debelada adequadamente, pode ocasionar o aumento da intensidade do fogo ou mesmo causar explosões, desprendendo fumaça tóxica e gases, mas estes riscos são eliminados se observadas as regulamentações e recomendações conhecidas pelo Setor.

No Brasil, a regulamentação das questões envolvendo o produto é de responsabilidade da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC), ligado ao Exército Brasileiro. Em sua mais recente portaria sobre o tema (Portaria Colog n° 147, de 21 de novembro de 2019), que contou com a participação efetiva de um Grupo Técnico de Trabalho da ANDA, o órgão dispõe sobre os procedimentos administrativos para o exercício das atividades com este insumo.

O regulamento estabelece uma série de requisitos a serem cumpridos, que vão de rígidas exigências sobre locais para armazenamento, manuseio pelas indústrias, transporte, estoque em entrepostos ao manejo para aplicação no solo, visando a eliminar os riscos àqueles que com ele operam e garantir a segurança da utilização do produto.

Portanto, seguidas as orientações da Portaria Colog, as recomendações das autoridades e boas práticas da Indústria, a ANDA entende que as operações com Nitrato de Amônio são seguras.

Beirute
O caso aconteceu na última terça-feira. Uma enorme explosão - a segunda de duas - abalou a capital libanesa, acompanhada por outras menores. As causas ainda não foram confirmadas, mas o presidente Michel Aoun informou que durante os últimos seis anos estiveram armazenadas, sem condições de segurança, em um armazém do porto, 2.750 toneladas de nitrato de amônia, produto químico utilizado em fertilizantes e bombas. O número de mortos na tragédia chegou a 137 e há mais de 5 mil feridos. A devastação provocada pela explosão teria destruído quase metade da capital, Beirute.

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