Secretário de Saúde admite necessidade de contraprova para testes do CovidDivulgação/Prefeitura de Santos

Após servidores e prestadores de serviço da Câmara Municipal de Santos testarem positivo para o novo coronavírus (Covid-19), na última terça-feira (4), o secretário de Saúde, Fábio Ferraz, recomendou, em entrevista ao Santa Portal , que os possíveis infectados pela doença façam uma contraprova, com o outro teste, chamado de RT-PCR, mais conhecido como swab nasal e oral, que utiliza um cotonete para colher material genético do paciente pelas narinas e garganta.

Ferraz informou que o Município tem realizado testes rápidos em servidores, taxistas e profissionais da imprensa, considerados potenciais vetores da doença. No entanto, o número expressivo de positivos detectado na Câmara chamou a atenção da Administração Municipal, apesar dele ser inferior ao divulgado pela assessoria do Legislativo Santista.

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De acordo com Ferraz, em números absolutos, 71 servidores dos 329 testados estariam com o vírus ainda ativo no corpo (apresentaram anticorpos IgM, fase aguda da doença). “Esse número representa 21,5% do total de pacientes. Outras 69 pessoas tiveram teste positivo para a presença do IgG, da fase de cura. Então o que vale é a informação dos 71 infectados”, explica.

A utilização dos testes rápidos no Município faz parte das estratégias do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde para o enfrentamento da pandemia. Fábio Ferraz explica que no Município, duas marcas já foram utilizadas.

Em um primeiro momento, a Secretaria de Saúde utilizava um teste de outro fabricante. Atualmente, os exames realizados são do modelo Leccurate, da Lepu Medical TEchnology, que possui registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Embora o anterior tivesse diferenciação entre sorotipos, a marca atual permite distinguir se o vírus está ativo ou inativo nas amostras, o que entendemos ser algo positivo. Vamos agora acompanhar se realmente tiver um falso positivo muito significativo, para então buscar uma orientação para testes mais resolutivos”.

Por fim, Fábio Ferraz ressalta que os testes rápidos utilizados na rede municipal têm sido extremamente importantes para traçar um mapa epidemiológico da Cidade.

“O teste rápido é bom para política de massa, mas não tem a mesma assertividade do PCR. Por isso, continuamos orientando aos pacientes que procurem as unidades de saúde para a realização do exame”.

Atualmente, conforme o secretário, os resultados na rede pública saem em 7 dias. As amostras voltaram a ser enviadas ao Instituto Adolfo Lutz, na Capital. No contrato anterior firmado pelo Município com o Laboratório Centro de Genomas, os resultados eram divulgados em um intervalo de 3 dias, porém ao custo de R$ 150 por paciente, gerando um gasto de R$ 3 milhões ao cofre do Município. Ao todo foram realizados 20 mil exames. 

Procurada, a assessoria de imprensa da Câmara Municipal de Santos informou que os números apontaram 71 funcionários com o vírus ativo ou 21,5% dos testados. Os demais testaram positivamente na fase IGg ou IGG +IGm.

Por se tratar de um número preocupante, o presidente da Casa, Rui de Rosis (PSL), suspendeu todas as atividades no Legislativo. As sessões presenciais, que seriam retornadas na noite da última terça-feira (4), vão continuar ocorrendo de forma on-line. O prazo também é necessário para tomar novas providências para a confirmação ou não dos índices apontados nos testes rápidos.