Conheça Nathan, o menino de Guarujá que deu um drible na própria vida


45 dias atrás
Por: Ted Sartori/#Santaportal - Em 08/12/2019 às 09:10
Conheça Nathan, o menino de Guarujá que deu um drible na própria vida Arquivo pessoal

SUPERAÇÃO - Nathan, de 9 anos, perde por 4 a 1 a decisão de uma copa de futsal, promovida pelo Colégio Galileu Júnior, no bairro Santa Rosa, em Guarujá. Ao final do jogo, o garoto vai até Helenice Nunes Carrança Filha, a mãe, e diz, com aquela sapiência típica das crianças: "Mãe, não consegui ganhar em primeiro lugar, mas só de chegar até aqui já fui um vencedor".

O discurso está longe de ser exagerado. Nathan tem hidrocefalia e espinha bífida, responsável pela falta de movimentos da cintura para baixo. "Ele é o pivô da equipe. Dribla, passa e chuta para o gol com as mãos. E fez dois no campeonato", descreve Jean Carlos Mendonça, professor de futsal do colégio. "O Nathan chegou esse ano e na turma dele, com 24 alunos, é o caso mais especial", emenda.

Helenice descobriu os problemas de Nathan ainda na gravidez e era obrigada a conviver com o ceticismo dos médicos, que davam, no máximo, três dias de vida a ele. "Após nascer, o Nathan passou por algumas cirurgias e ficou na UTI por 19 dias. Depois de receber alta do hospital, ele foi para casa e começou a se desenvolver como uma criança normal. Hoje é uma criança ágil, frequenta a escola normalmente, interage com professores e amigos, brinca como qualquer criança, joga futebol, bolinha de gude, anda de skate, de bicicleta, empina pipas e muitas outras coisas", conta.

Antes do futsal, o contato de Nathan com a bola era apenas nos jogos na calçada na frente de sua casa, também no Santa Rosa. Foi quando o garoto encontrou Jefferson Guerreiro, o tio Biro, mantenedor da instituição, e contou que jogava futebol. "Quero ver se esse cara sabe jogar mesmo", disse Jefferson, naquele tom para dar confiança.

Antes da competição, no entanto, o próprio Nathan ficou preocupado com a desvantagem que sua presença na equipe poderia provocar, o que foi imediatamente rechaçado pelo professor Jean Carlos. "Quando fizemos o sorteio das equipes, ele me perguntou se não iria ter mais um no time dele. Falei que não e perguntei: Por quê? Você é diferente de alguém aí? Ninguém reclamou. Os amiguinhos jogaram, gritaram e se abraçaram".

A presença de Nathan em quadra foi a senha para os sentimentos de Helenice aparecerem de maneira intensa. "Não tenho palavras para descrever esse momento de muita emoção e felicidade. Foi uma emoção muito grande, pois só via meu filho jogar com os amigos na calçada de casa. E, ao vê-lo competindo, não pude conter as lágrimas, pois para mim cada momento e conquista dele é uma vitória".

O troféu do campeonato não veio para Nathan. Mas chegou um outro. Na plaquinha, a palavra superação, entregue por Jean Carlos. Nos ouvidos, o alarido dos aplausos da consagração. São as certezas de que o garoto deu um drible daqueles inesquecíveis e conquistou a vida.

noticia2019128943246.JPG