"Fiquei indignado", diz guarda chamado de "macaco" por turista em Praia Grande


2 dias atrás
Por: Rodrigo Martins/#Santaportal - Em 03/12/2019 às 18:02
"Fiquei indignado", diz guarda chamado de "macaco" por turista em Praia Grande Reprodução/ Arquivo Pessoal

PRAIA GRANDE - O guarda civil municipal Kleber Lima do Amaral, de 43 anos, que foi vítima de injúria racial durante uma abordagem no último domingo, na orla da Vila Caiçara, em Praia Grande, conversou com a nossa reportagem sobre o episódio. O suspeito de cometer a injúria é um turista de Bertioga, de 18 anos, que foi preso pelo crime.

Em entrevista exclusiva ao #Santaportal , Kleber contou como tudo aconteceu. “Houve uma primeira abordagem, eles estavam em 25 indivíduos. Eles estavam em bicicletas na calçada, o que é proibido. Fizemos a apreensão das bicicletas e isso causou uma revolta entre eles. Quando a gente estava saindo da abordagem, começaram as ofensas de costume e arremessaram uma pedra, que pegou no pé. No momento em que eu me virei para ver quem tinha jogado a pedra, houve a injúria por parte dele”, disse o agente, que foi chamado de "macaco" pelo turista.

Segundo Kleber, as provocações continuaram mesmo após a primeira ofensa. “Por causa da confusão, como estávamos em seis viaturas e tinha muita gente por lá, continuamos trabalhando normalmente. Só que depois aconteceu um tumulto no mesmo local. Fomos com duas viaturas para lá e, após dispersamos rapidamente as pessoas, eu consegui identificar o rapaz que tinha cometido a injúria na faixa de areia. Em conjunto com os meus parceiros, nós fizemos a abordagem. Ele estava com o sobrinho dele, chegou a negar que havia falado, mas não tinha jeito. Uma testemunha confirmou o que ele havia dito. Tivemos que tomar uma atitude. Primeiro ele negou. Mas dentro da viatura, indo para a delegacia, ele se desculpou e disse que era da igreja. Mas a gente tinha que fazer alguma coisa”, relatou.

Membro da 4ª Classe Nível 1 da GCM, Kleber tem 16 anos de profissão e disse que essa foi a primeira vez que ele foi alvo de uma injúria desse nível. “Não fiquei surpreso com a ofensa, até porque o racismo é algo intrínseco na nossa sociedade. Mas como estava junto de outros colegas, achei que ele foi bem corajoso em me ofender daquela forma. Fiquei surpreso pela coragem de ele dizer isso daquela forma. Já fui vítima de ofensas em outras oportunidades, mas era algo mais velado, disfarçado. Em 16 anos na corporação foi a primeira vez que isso aconteceu dessa forma comigo. Fiquei muito mal e indignado com a ofensa, mas mantive a calma, com a ajuda dos meus parceiros de Guarda Civil. Meu parceiro de viatura, que é branco, ficou mais indignado do que eu. Não tinha como a gente deixar pra lá”, afirmou.

Mesmo ainda triste pela injúria, Kleber espera um dia ser capaz de perdoar o homem responsável pelas ofensas contra ele. “Na hora ele me perguntou se eu não poderia perdoar, a família dele falou comigo, mas como guarda civil municipal a gente não pode deixar passar esse tipo de coisa. Mas não tem como você carregar uma mágoa dessa para o resto da vida. Uma hora a gente esquece, o perdão vem. Só que no momento estou muito chateado e magoado por dentro”, concluiu.

O crime de racismo prevê punição de um a três anos de reclusão e é afiançável. No entanto, não houve pagamento previsto de dez salários mínimos (R$ 9.990,00) e o rapaz está preso na Delegacia Sede de Praia Grande, onde o caso foi registrado.

noticia20191235135872.jpgDivulgação/Prefeitura Municipal de Praia Grande