Há 35 anos, Serginho Chulapa fazia o gol que valeu um título histórico para o Santos


6 dias atrás
Por: Ted Sartori/#Santaportal - Em 02/12/2019 às 08:26
Há 35 anos, Serginho Chulapa fazia o gol que valeu um título histórico para o Santos Reprodução

HISTÓRIA - Em 2 de dezembro de 1984, há exatos 35 anos, o Santos festejava o título paulista daquele ano, após derrotar o Corinthians por 1 a 0 no Morumbi. Bastava o empate para o Peixe, então presidido por Milton Teixeira, fazer a festa naquele clássico que, coincidentemente, reuniu na última rodada os dois postulantes ao troféu. Só que Serginho Chulapa enxergou que dava para vencer.

“A gente tinha time para ganhar em qualquer lugar e poderíamos estar jogando até hoje que o placar seria de vitória. Vimos cenas do Corinthians tirando foto a semana inteira, pois, caso ganhasse, seria tricampeão paulista. Mas na hora em que a gente entrou viu o medo deles. Não era respeito. Eles queriam cumprimentar a gente, mas já tinha avisado a todos para não fazer isso. Só se fosse depois do jogo”, contou o artilheito do Estadual com 16 gols, ao lado de Chiquinho, do Botafogo de Ribeirão Preto.

A última bola na rede saiu aos 26 minutos do segundo tempo. Após lance entre Zé Sérgio e Humberto pela esquerda, o cruzamento passou pelo goleiro Carlos e Chulapa ficou à vontade para definir. “A jogada do gol (contra o Corinthians) a gente treinava a semana toda: batida rasteira e forte para a área”, recordou.

Pelo andamento da semana da decisão, no entanto, havia risco do atacante não atuar no domingo. Um princípio de distensão preocupou, mas os próprios jogadores o aconselharam a não treinar e se concentrar na recuperação. Tudo ainda na antiga Chácara Nicolau Moran. “Ficou essa dúvida, mas eu iria jogar de qualquer maneira. Tinha essa responsabilidade, esse compromisso com os jogadores e deu para atuar por 90 minutos”, afirmou.

A motivação do grupo também se baseou no clima de já ganhou no Parque São Jorge - o Corinthians era o bicampeão paulista. Mas isso fez também com que os jogadores do Peixe combinassem um desfecho, para dizer o mínimo, melancólico, caso o título fosse do Timão. “A gente não podia perder esse jogo e, se isso acontecesse, iríamos arrumar uma confusão. Combinamos mesmo. Fizemos um pacto”, revelou.

Se não houve problema em campo, aconteceu um fora dele, porém sem maiores consequências e fruto da grande festa pelo título.

Já na madrugada de 3 de dezembro de 1984, um carro bate bate na altura do estádio do Pacaembu. Quando o motorista deixa o volante, percebe-se o seu vestuário incomum para a ocasião: calção, chuteira e sem camisa. Ele pega um táxi e vai embora para casa, enquanto o amigo que o acompanhava fica tomando conta do automóvel, recolhido pelo condutor só quando o dia já havia amanhecido. O condutor era Serginho Chulapa.

Detalhe: o atacante tinha acabado de descer para Santos após a decisão e, depois de muita festa na Vila Belmiro, subiu novamente para a Capital, por volta das 3 horas. “Eu estava totalmente embriagado e aconteceu isso”, confessou.

Foi o 15º Estadual do Santos em sua história, estabelecendo um jejum em estaduais que só terminou em 2006, com Marcelo Teixeira, filho de Milton Teixeira, ocupando a cadeira de presidente.