Prisões de italianos são convertidas em preventivas pela Justiça Federal em Santos


135 dias atrás
Por: #Santaportal - Em 09/07/2019 às 18:33
Prisões de italianos são convertidas em preventivas pela Justiça Federal em Santos Divulgação/Polícia Federal

SANTOS - Os italianos Nicola Assisi e Patrick Assisi, presos na segunda-feira (8) em Praia Grande, tiveram suas detenções em flagrante convertidas para prisões preventivas durante audiência de custódia realizada nesta terça-feira (9), no Fórum de Santos. Eles são suspeitos de terem ligação com a máfia “Ndrangheta”, uma das principais organizações criminosas da Europa e do mundo.

Com essa decisão do juiz federal Roberto da Silva Oliveira, Nicola e Patrick, que são pai e filho, vão responder a duas prisões preventivas. A primeira é do Supremo Tribunal Federal (STF), para a extradição dos dois, enquanto a segunda é decorrente do flagrante de armas, drogas e dinheiros encontrados no apartamento de alto padrão no qual os italianos moravam em Praia Grande.

A defesa deles nega o envolvimento de pai e filho com a máfia italiana. O advogado Bruno Galhado, que representa os italianos, queria levar o caso para a esfera estadual, por entender que o flagrante de tráfico não teria configurado crime internacional, pedido que foi negado pelo magistrado.

Alegando que ambos têm residência fixa, o defensor tentou a liberdade provisória dos dois, porém o juiz manteve as prisões, que foram convertidas em preventivas. O advogado promete recorrer da decisão.

Depois da audiência de custódia, Nicola e Patrick voltaram para a carceragem da Superintendência da Polícia Federal na capital paulista.

Entenda o caso  
Segundo a Polícia Federal, os dois italianos foram presos na cobertura do prédio onde moram. O edifício de luxo está localizado no bairro Aviação, em Praia Grande.

A cobertura onde os italianos foram presos possuía sofisticado sistema de vigilância, com câmera dome 360 na área externa, o que possibilitava identificar todas as pessoas que acessavam o prédio. Esse tipo de equipamento de uso exclusivo da cobertura pode custar até R$ 100 mil. O imóvel contava, inclusive, com uma passagem secreta para uma possível fuga em caso de cerco policial.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da representação da Polícia Federal junto à Interpol, em cooperação à Polícia Italiana.

Ambos estavam foragidos desde 2014, com passagens por Portugal e Argentina, utilizando-se de nomes falsos.

O grupo mafioso, baseado na região da Calábria, no sul da Itália, controlaria 40% dos envios globais de cocaína, sendo o principal esquema criminoso importador para a Europa.

De acordo com a PF, ainda será investigada uma possível relação entre o aumento das apreensões de drogas nos portos brasileiros, especialmente em Santos e Paranaguá (PR).

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