Ataques de Israel matam nove paramédicos no Líbano, diz Beirute
Por Folhapress em 28/03/2026 às 17:32
O ministro da Saúde do Líbano, Rakan Nassereddine, afirmou que 46 socorristas e outros 5 profissionais de saúde morreram em ataques israelenses desde o início da guerra entre Israel e o grupo extremista Hezbollah, no dia 1º de março. Nassereddine disse, em uma entrevista coletiva, que o balanço de vítimas inclui 9 paramédicos mortos neste sábado (28).
O ministro afirmou que quatro dos mortos eram integrantes do Comitê Islâmico de Saúde do Hezbollah, que foram alvos de ataques israelenses quando participavam de missões de resgate, e cinco, dos ‘Escoteiros Risala’, do movimento Amal, aliado do grupo extremista, que também estavam de plantão.
Ainda neste sábado, um ataque israelense contra um carro no sul do Líbano matou três jornalistas, segundo a imprensa local. O repórter Ali Shaib, da TV Al-Manar, e a repórter Fatima Ftouni, da TV Al-Mayadeen, morreram quando seu veículo foi atingido. O ministro da Informação do Líbano afirmou posteriormente que o irmão de Ftouni, o cinegrafista Mohammed Ftouni, também morreu no ataque.
A Al-Manar é controlada pelo grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, e a Al-Mayadeen é amplamente vista como alinhada a apoiadores do Irã na região.
As Forças Armadas israelenses afirmaram em comunicado ter “eliminado” Shaib, a quem descreveram como um “terrorista” de uma unidade de inteligência do Hezbollah que havia informado sobre a localização de soldados israelenses no sul do Líbano. Acusaram-no de “incitação” contra soldados e civis israelenses. O comunicado das Forças Armadas não mencionou nenhuma outra morte.
O presidente libanês, Joseph Aoun, descreveu os mortos em um comunicado como “civis cumprindo seu dever profissional”. “É um crime descarado que viola todos os tratados e normas pelos quais os jornalistas gozam de proteção internacional em tempos de guerra”, afirmou. A Al-Manar descreveu Shaib como um “ícone do jornalismo de resistência”. A Al-Mayadeen afirmou que Ftouni se destacava por sua cobertura corajosa e objetiva.
Os ataques ocorreram após a morte de Hussain Hamood, um jornalista libanês que trabalhava para a Al-Manar e que, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), foi atingido em um ataque aéreo israelense na quarta-feira (25).
Pelo menos outros três repórteres em todo o Oriente Médio foram mortos em ataques aéreos desde o início da guerra com o Irã, informou o CPJ na quinta. As Forças Armadas dos EUA não responderam a um pedido de comentário.
O Exército de Israel afirmou ter realizado uma série de ataques neste sábado contra Irã e Líbano. Em Teerã, as forças afirmam ter atacado instalações de infraestrutura pertencentes ao regime iraniano.
Na sexta, um ataque atingiu os subúrbios do sul de Beirute durante a tarde, sem aviso prévio das forças armadas israelenses, segundo a mídia estatal libanesa.
A Agência Nacional de Notícias, de gestão estatal, informou que aviões de guerra israelenses “realizaram um ataque muito intenso na área de Tahouitet al-Ghadir”, o mesmo bairro onde as autoridades libanesas afirmaram que outro ataque, ocorrido na manhã de sexta, matou duas pessoas.
Tensão na Cisjordânia
As forças armadas israelenses mataram um adolescente palestino de 15 anos perto de Belém na noite desta sexta-feira (27), segundo o Ministério da Saúde palestino do território, controlado pela Autoridade Palestina, em meio a um recrudescimento da violência na Cisjordânia ocupada por Israel.
O Ministério da Saúde palestino informou em comunicado que o adolescente chegou a ser levado a um hospital em estado crítico com um ferimento de bala no abdômen, mas não resistiu. O adolescente foi baleado no campo de Dheisheh durante uma operação militar israelense, informou a agência de notícias pública palestina Wafa.
As Forças Armadas israelenses afirmaram soldados abriram fogo durante o que descreveram como um “motim violento”, no qual pedras foram atiradas contra soldados perto de Belém. O comunicado não identificou o palestino morto nem especificou por que o Exército israelense estava na área.
Esta foi a terceira morte de um palestino na Cisjordânia nesta sexta. A Wafa havia afirmado mais cedo que dois homens palestinos foram mortos a tiros por militares israelenses.
A Cisjordânia tem registrado um aumento da violência desde outubro de 2023, quando o grupo terrorista Hamas realizou seu ataque contra Israel a partir da Faixa de Gaza, deixando 1.200 mortos e desencadeando a reação israelense no território, onde mais de 70 mil palestinos foram mortos.
Desde então, as Forças Armadas reforçaram as restrições à circulação de palestinos na Cisjordânia e lançaram incursões que deslocaram comunidades inteiras, enquanto a violência perpetrada por colonos israelenses contra palestinos se expande.