Bronquiolite avança na Baixada Santista e internações infantis triplicam

Por Beatriz Pires em 26/05/2026 às 05:00

Reprodução/Freepik
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A transição do outono para o inverno na Baixada Santista trouxe um aumento nos casos de bronquiolite infantil. A doença, comum em crianças de até dois anos, pode evoluir de um resfriado simples para um quadro grave de desconforto respiratório em apenas três dias.

A bronquiolite é uma infecção respiratória que afeta os pulmões e circula com maior facilidade em períodos de clima úmido e frio, característicos desta época do ano na região. Diferente de um resfriado comum, geralmente associado a sintomas leves, a doença apresenta maior risco de agravamento em bebês e lactentes devido à fragilidade do sistema respiratório nessa faixa etária.

Evolução rápida preocupa especialistas

Segundo médicos, a evolução da doença costuma ocorrer em etapas rápidas:

  • Início com sintomas leves, como coriza, tosse e febre baixa;
  • Febre mais alta e alterações comportamentais, como irritabilidade intensa, choro persistente ou letargia;
  • Agravamento respiratório, com dificuldade para respirar e necessidade de atendimento médico imediato.

A infectologista pediátrica Carolina Brittes afirma que o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e o Rinovírus são os principais agentes associados aos quadros graves em lactentes.

“Esses sinais, somados a uma febre que não cessa, indicam a necessidade de avaliação médica imediata”, alerta a infectologista.

Segundo a especialista, a proteção dos bebês não depende apenas da vacinação infantil, mas também da imunização da rede de apoio familiar. A estratégia se torna ainda mais importante diante das baixas coberturas vacinais registradas em cidades como Bertioga, Itanhaém e Cubatão.

Pressão na rede de saúde

A pressão sobre os serviços de saúde já aparece em indicadores da região. Em Mongaguá, as internações pediátricas triplicaram entre março e abril, saltando de 7 para 24 casos. Os atendimentos pediátricos por doenças respiratórias também aumentaram no município, passando de 463 em março para 747 em abril.

Em Cubatão, crianças de até dois anos concentram 61% das notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em maio. O Rinovírus e o VSR aparecem como os principais responsáveis pelas complicações hospitalares.

A infectologista reforça que os primeiros dias da doença exigem atenção redobrada.

“O ponto-chave é avaliar quando o sintoma deixa de ser simples. É preciso observar se a criança fica mais cansada, irritada ou com febre persistente”, orienta Carolina Brittes.

Baixa vacinação preocupa

A baixa adesão às campanhas de vacinação preocupa autoridades de saúde da Baixada Santista. Em Cubatão, a cobertura vacinal contra a gripe chegou a 20,50%. Já em Mongaguá, o índice é ainda menor, 13,19%.

Em Bertioga, o problema vai além da vacinação contra influenza e também afeta as vacinas de rotina e doses contra Covid-19. A cobertura da terceira dose contra o coronavírus em crianças menores de um ano atinge apenas 20% no município. Já as vacinas Meningo C e Varicela registram índices de 69,92% e 73,31%, respectivamente, abaixo das metas consideradas ideais.

Segundo a especialista, a baixa imunização amplia a vulnerabilidade infantil diante de diferentes infecções respiratórias.

Cidades mantêm estratégias de prevenção

Enquanto cidades vizinhas registram pressão no sistema de saúde, Santos e São Vicente mantêm estabilidade na rede hospitalar.

A Secretaria de Saúde de Santos informou que não houve aumento de internações de moradores por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas duas semanas.

Em São Vicente, a demanda permanece dentro da normalidade. Os atendimentos passaram de 92 em março para 73 em maio, sem registros de superlotação em leitos pediátricos.

Para conter o avanço das doenças respiratórias durante o inverno, as prefeituras mantêm monitoramento epidemiológico e ampliam estratégias de vacinação. Em São Vicente, a imunização ocorre também aos sábados no Brisamar Shopping. Já Itanhaém e Bertioga concentram a vacinação em todas as unidades de saúde da família.

Em Cubatão, a estratégia inclui a aplicação de anticorpos monoclonais em recém-nascidos prematuros.

Além da vacinação, especialistas reforçam medidas preventivas como higienização frequente das mãos, evitar aglomerações e atenção aos primeiros sinais respiratórios em crianças pequenas.

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