Prefeitura de São Bernardo confirma novo caso de intoxicação por metanol
Por Vitor Hugo Batista/Folhapress em 28/05/2026 às 12:02
A Prefeitura de São Bernardo do Campo confirmou, nesta quinta-feira (28), mais um caso de intoxicação por metanol no estado de São Paulo. Com a confirmação, o número de casos registrados no estado chega a 54. Ao todo, 12 pessoas morreram após complicações associadas à ingestão da substância.
Segundo a secretaria de Saúde de São Bernardo, trata-se de um homem de 51 anos internado em 19 de maio com suspeita de intoxicação pela substância. A confirmação ocorreu na última terça-feira (26).
O paciente recebeu alta hospitalar e segue em recuperação. A Vigilância Sanitária investiga onde a bebida adulterada foi consumida.
Os casos de intoxicação por metanol começaram a ser registrados em outubro do ano passado.
Entre as 12 mortes confirmadas estão quatro homens de 26, 45, 48 e 54 anos residentes na cidade de São Paulo, uma mulher de 30 anos e um homem de 62 anos de São Bernardo do Campo, dois homens de 23 e 25 anos e uma mulher de 27 anos de Osasco, além de um homem de 37 anos de Jundiaí, um homem de 26 anos de Sorocaba e um homem de 26 anos de Mauá.
Segundo a secretaria de Saúde do estado de São Paulo, um óbito permanece sob investigação: o de um homem de 31 anos, residente em São José dos Campos.
Em entrevista à reportagem, a delegada da Polícia Civil de São Paulo Isa Lea Abramavicus afirmou que as bebidas adulteradas eram vendidas por preços semelhantes aos de produtos originais, o que dificultava a identificação da fraude pelos consumidores.
Um comprovante de compra obtido pela reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que garrafas adulteradas de vodca Smirnoff consumidas no Torres Bar, na Mooca, zona leste da capital paulista, custaram entre R$ 35 e R$ 39.
Segundo levantamento feito com donos de bares e distribuidoras, o preço de garrafas originais da mesma marca variava entre R$ 28 e R$ 35.
O metanol é um produto químico de uso industrial encontrado em fluidos anticongelantes e produtos de limpeza automotiva. A substância não é destinada ao consumo humano e pode provocar intoxicação grave mesmo em pequenas quantidades.
Especialistas afirmam que qualquer dose de metanol é perigosa para a saúde. O risco está relacionado à quantidade ingerida, ao peso corporal, ao metabolismo e ao estado de hidratação da pessoa. Uma dose pura de cerca de 30 ml já está associada a toxicidade grave, incluindo risco de cegueira e morte.
Inicialmente, os sintomas podem ser semelhantes aos da ingestão de álcool comum, com sensação de embriaguez, náusea e mal-estar. O agravamento ocorre horas depois, quando o organismo metaboliza o metanol no fígado.
O formiato substância produzida durante esse processo interrompe a produção de energia nas células, afetando principalmente o cérebro e os olhos. Isso pode causar danos neurológicos e cegueira.
Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, o que pode atrasar o diagnóstico. O atendimento rápido aumenta significativamente as chances de sobrevivência e reduz o risco de sequelas graves.
O tratamento para intoxicação por metanol é considerado uma emergência médica e deve ser feito em ambiente hospitalar. Entr e as medidas adotadas estão medicamentos específicos e sessões de diálise para remoção das toxinas do sangue.
Especialistas também dizem que o etanol pode ser usado em alguns casos para retardar a metabolização do metanol. O álcool comum atua como um inibidor competitivo, reduzindo temporariamente a formação das substâncias tóxicas produzidas pelo organismo.
Autoridades de saúde orientam consumidores a desconfiar de bebidas vendidas sem procedência conhecida e alertam que diferenças pequenas de preço nem sempre indicam falsificação.