05/03/2026

Médica santista que mora no Catar relata medo com ataques no Oriente Médio: "Incerteza gera ansiedade"

Por Rodrigo Martins em 05/03/2026 às 15:00

Patrícia D'Antônio Figueiredo/Arquivo Pessoal
Patrícia D'Antônio Figueiredo/Arquivo Pessoal

A médica santista Patrícia D’Antônio Figueiredo, de 56 anos, está entre os brasileiros que enfrenta dificuldades no Catar, em meio aos ataques nas bases americanas no país, em razão dos conflitos que escalaram no Oriente Médio.

Segundo Patrícia, que vive há um ano e meio com o marido em Doha, na capital do Catar, os ataques causaram apreensão entre os brasileiros que vivem no país. Nesta quinta-feira (5), o Catar interceptou mísseis iranianos antes do ataque à base americana.

“Recebemos alarmes pela manhã, nível elevado de ameaças hoje. Está igual ao primeiro dia. A TV local falou em duas dúzias de mísseis. Segundo informações, estão interceptando os mísseis e drones no Golfo Pérsico para não correr risco dos destroços caírem na cidade”, disse a médica santista, em entrevista ao Santa Portal.

Com as ameaças de ataque ao país, as autoridades cataris estão orientando a população sobre as medidas a serem tomadas durante esse período. “Eles nos orientam a sairmos de perto das janelas e ficarmos em casa. Mas tem gente indo para o metro e garagens nos subsolos. Agora está tudo mais calmo por aqui novamente. E seguimos assim. Porém, a incerteza do que está por vir gera ansiedade”, explicou.

Apesar da preocupação, Patrícia destaca que não pretende deixar o Catar. “Ontem a embaixada do Brasil publicou uma saída terrestre pela Arábia Saudita para quem quiser, porém sem garantias, com os próprios custos e sem garantia de segurança e de embarque aéreo já que o aeroporto lá também pode fechar a qualquer momento. Mas nos sentimos seguros mesmo assim. O país é maravilhoso e está dando todo o respaldo possível. Por isso, não pretendemos deixar o Catar nesse momento”, afirmou.

A médica, que trabalhava como coordenadora médica na UPA Central de Santos e acompanhou o marido que recebeu uma proposta de trabalho como ortopedista no hospital do governo do Catar, na época da Copa do Mundo, elogiou a organização do país apesar do cenário crescente de tensão no Oriente Médio.

“O país nos dá exemplo de gestão mesmo diante desse cenário incerto: não falta água e não falta alimentação, o serviço de delivery continua funcionando normalmente. O país arcou com a extensão de hospedagem dos turistas até a reabertura do espaço aéreo (continua fechado). Recebemos mensagens de SMS com recomendações diariamente do Ministério do Interior. Todos os dias os canais oficiais compartilham informações sobre a guerra. Essa organização por parte do governo nos deixa um pouco mais seguros”, comentou.

Brasileiros no Catar mantêm contato por WhatsApp

De acordo com Patrícia, os brasileiros que vivem no Catar estão usando um grupo de WhatsApp para compartilharem informações e se ajudarem durante esse período de conflito no Oriente Médio. Ela contou que a comunidade já tem mais de 500 pessoas.

“Temos um grupo de WhatsApp de brasileiros no Qatar, com cerca de 569 pessoas. O assunto é esse o dia inteiro. Algumas pessoas pensam em sair, mas se tenta ir embora pela Arábia Saudita, como faz para tirar o visto de lá. Também não sabem se ficam aqui e esperam as cenas dos próximos capítulos, se pedem demissão, se pedem férias antecipadas, etc. É um cenário complicado”, concluiu.

Dentre os brasileiros que tenta deixar o país está o zagueiro Lucas Veríssimo, que foi anunciado nesta semana como novo reforço do Santos. Ele e sua família continuam no Catar, sem conseguir um voo de volta para o Brasil.

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